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16 de fevereiro de 2017

DISCOS DE VINIL # 20

TULIPA RUIZ – DANCÊ (2015)


Desde que ouvimos os anúncios de que o terceiro álbum de Tulipa Ruiz já estava a caminho, criou-se um tremendo frisson nas redes sociais em torno da questão da velha e batida questão “será que este álbum vai superar o anterior?” que estamos enfastiados em ter que ler e responder.
Para os ouvintes que agiram como abelhas atentas do pólen musical deixado por Tulipa após os cultuados álbuns Efêmera (2010) e Tudo Tanto (2012), não ficaram muito surpresos com os rumos musicais que a cantora decidiu trilhar em seu terceiro CD. O single “Megalomania” e o EP Tulipa Ruiz Remixes já eram pistas claríssimas de que a flor cantante iria fazer como David Bowie fez conosco em 1983 e iria literalmente colocar a gente para dançar…
Sejamos diretos ao assunto: Dancê (2015), como diz o título, é um CD para o ouvinte bater o pé, tirá-lo do chão, mexer a cabeça de um lado para o outro e sair dançando, embarcando na levada loucamente musical (Sorry, Ivete!) para a qual Tulipa nos convida, sem deixar de nos fazer refletir em uma série de coisas, tal qual em “Prumo”, faixa de abertura do disco, assinada por ela em parceria com Gustavo Ruiz:


Começou
Agora você vai tomar conta de si

Das tuas minhocas, caraminholas,
das encucações, dos teus pepinos
Das pérolas, das abobrinhas,
dos abacaxis, dos nós, dos faniquitos.

Se você está na dúvida se ouvir o CD realmente vale a pena ou não, Dona Tulipa e banda enviam um recado muito claro para os indecisos em “Reclame” (Tulipa Ruiz, Gustavo Ruiz, Caio Lopes, Marcio Arantes e Luiz Chagas):


Trato azedume, mau-olhado, ‘quebrante’, vício
Trato treta de trabalho
Trabalho com amarração
Resolvo o seu problema com baralho, com pôquer, bingo
Pra bituca de cigarro eu tenho a solução
Trago seu amor de volta se me fizer uma visita
A gente faz uma combinação, você acerta e acredita
No duro, dá certo
Nunca houve reclame.

Enquanto bailamos entre sons de metais e brasa e acordes de guitarra capitaneados por Luiz Chagas e Gustavo Ruiz, Tulipa segue disparando seu arsenal de provocações aos ouvintes de Dancê. “Jogo do Contente”, outra parceria dela com Gustavo, traz uma sequência interessante de cutucadas àqueles que insistem em viver dentro de uma determinada zona de conforto:


Todo motivo te leva a querer
Todo querer te faz ter vontade
Toda vontade te faz ter impulso
Todo impulso sempre me estimula

Toda sequência tem uma rotina
Toda rotina te causa estrago
Todo estrago merece um conserto
Todo conserto te modifica.


“Proporcional” questiona, com bom humor, as diferenças entre as medidas das pessoas e aponta que não existem (ou deveriam existir) obstáculos entre as diferenças:


Cada um tem seu formato
Apertado, colado, justo
Largo, folgado, amplo, vasto
Cheio, graúdo, forte, farto
Esguio, fino, compacto.

Visto GG, você P
Você P, eu GG
Visto GG, você P
Você P, eu GG.


“Expirou”, mais uma parceria dos irmãos Tulipa e Gustavo Ruiz, traz a nostalgia de eventos dos quais não tivemos a oportunidade de participar pelo simples fato de que ainda não vivíamos por estas bandas. Alguns exemplos: os barulhentos festivais da canção brasileira nos anos 1960 e 1970, São Francisco, Woodstock e a Swinging London, “Carcará”, “Aquele Abraço” e “Divino Maravilhoso”, os Novos Baianos, as Dunas da Gal, FA-TAL e Cantar, Itamar Assumpção e a Isca de Polícia, Grupo Rumo, Madame Satã são apenas alguns exemplos de coisas que nós, nascidos após 1975, faríamos de um tudo para ter ouvido e vivido na época de seu surgimento. Embalada pela guitarra mítica de Lanny Gordin (que acompanhou Gal Costa em sua também mítica turnê de 1971-72), Tulipa Ruiz saúda a alquimia dos mestres com o devido respeito:


Sinto falta de um tempo que ouvi dos amigos
Tava escrito num livro
Tocou numa vitrola
Foi dançado, cantado, recitado, falado
Publicado, sentido, decupado, contado
Mas eu não tava ali

Quando é que a saudade daquilo que a gente não viveu passa?
Se passa, parece que já foi, mas quando você vê volta
Volta porque tem a sua cara, tem a ver com a sua história.


“Elixir”, quarta faixa do disco, é um petardo para uma sociedade que acorda com Prozac e dorme com Rivotril e acredita que vive um fluxo extremamente natural de sua existência. Fruto de uma noite em claro da própria Tulipa, a canção nos indica o sonho dourado de muitos notívagos angustiados por aí:


Apaga, filtra, manera
Massageia o esqueleto
A cuca, a cabeça, a traqueia
Cotovelo do esqueleto
A lombriga, clavícula, pé e a costela do esqueleto

Dormir é o meu sonho principal
Legado aos olhos como se fosse elixir
Dormir é o meu sonho principal
Legado aos olhos como se fosse elixir

Zero reflexão, zero
Zero reflexão, zero
Zero reflexão, zero
E entra no estado zen.

Uma das faixas mais divertidas de Dancê é “Físico”, mais uma parceria de Tulipa e Gustavo assumidamente inspirada no hit “Physical”, eternizado por Olivia Newton-John em 1981. Para resgatar a sonoridade disco do início dos anos 1980, a trupe contou com a participação especial de Kassin, que tocou baixo, guitarras e sintetizadores. O desejo de Tulipa Ruiz, ao contrário do que sugere a tendência apontada pela estrela de Grease e por pessoas obcecadas em viver relações baseadas somente em atributos físicos, descreve alguém que vai além do que é obviamente esperado nas típicas atrações sexuais:


Tudo que eu gosto tá em você
É puramente físico
(…)

O formato do nariz
Osso pontudo do pescoço
Lóbulo da orelha
Desenho da sobrancelha
Pintas pela pele
Pelos, tornozelo
Dedo, nuca, calcanhar, cabelo
Da boca pra fora
Fora de fora pra dentro
(…)
Você veio assim sem defeito.


“Old Boy”, décima faixa do disco, fala sutilmente sobre a importância do viver com a certeza de que teremos um aprendizado em relação ao que foi vivido. Em outras palavras: uma bela canção sobre a morte, com versos singelos e uma interpretação sóbria de Tulipa:


Vai ter tempo de sobra
Mesmo sendo velho, sabe sobre tudo
Sempre pra valer
Volta e meia, cê volta
Nunca é tarde, pelas tantas recomeça
Vence em convencer
Não tem fim, nem começo
O agora é agora, voa
Já passou, olha, passou
E fica também na sua memória
Sempre você
O tempo e você.


O brilho de Dancê também está nos convidados especiais que participam do disco. A elegância e a jovialidade de João Donato fazem de “Tafetá” um dos momentos mais belos do disco. Balada ao estilo do balancê inconfundível do criador de “A Rã” sem deixar de incorporar o balancê frenético das produções musicais da flor cantante, a faixa é uma ode à beleza masculina capitaneada pelos vocais em canto e contracanto Donato e Tulipa, pontuados pelos metais, violão, percussão e pelo piano fender rhodes em menos de 4 minutos de duração:


Fino
Só você
Elegante
Sabe bem
Muito trato
Combinar
Na lapela
Tem o dom
Tem um padrão
Já que tem
Desenhado
Sabe usar
Tem casaco
Dégradé
Engomado
Tafetá


“Virou”, parceria de Tulipa Ruiz com Felipe Cordeiro, Gustavo Ruiz, Manoel Cordeiro e Luiz Chagas, é uma colaboração que contou com a participação de Felipe Cordeiro, dividindo os vocais com Tulipa e de Manoel Cordeiro (pai de Felipe) que tocou guitarra na faixa. Os versos do refrão já garantem a memorização do ouvinte já a partir das primeiras audições de uma das faixas mais alegres de Dancê:


Era pra ficar no chão
Deu pé, decolou
Era pra ter sido em vão
Como é que durou?
Era pra ficar ali e por aí caminhou

Era pra ser menos sério
Mais cara-de-pau
Era para ser só nuvem e precipitou
Podia não ter dado em nada
Então como é que virou?


No entanto, a participação especial mais intrigante de Dancê foi a do Metá Metá (Juçara Marcal – Voz, Kiko Dinucci – Guitarra, Marcelo Cabral – Baixo, Sergito Machado – Bateria, Thiago França – Sopros em “Algo Maior”, parceria de Tulipa Ruiz, com Gustavo Ruiz e Luiz Chagas. As vozes fortíssimas e distintas de Tulipa e Juçara resultam na sensação angustiante de uma tormenta que está a caminho, mas nunca chega – algo típico para uma interpretação de um grupo de balé contemporâneo, com coreografias típicas de Deborah Colker:


Tá pra nascer algo maior
que vá tirar do lugar as coisas que cismam em não andar
Tá pra nascer algo maior
que tudo o que você já viu, leu, sentiu, soube ou ouviu
Não sinta medo nem dó de ser feliz e se soltar,
de saber bem o que lhe convém
Tá pra nascer quem viva só,
pois de me, myself and I já basta eu, você e nada mais.

Ao ser encerrado com este épico de cinco minutos e trinta e nove segundos, Dancê deixa muito claro que Tulipa Ruiz não é uma cantora que segue os caminhos óbvios já traçados pelo Pop e pela MPB recentes. Também revela um grande disco, feito com inteligência acima do comum. E o melhor de tudo: ele consolida de vez a parceria Tulipa Ruiz – Gustavo Ruiz, que tem um potencial gigantesco para já constar no rol de parceiros célebres de nossa música como Marina Lima – Antonio Cícero (irmãos e parceiros, tal qual Tulipa e Gustavo), Roberto Carlos – Erasmo Carlos e tantas outras…



Enquanto isso, aproveite para afastar os móveis da sala, abrir um espaço bem amplo para que você dar o play e colocar Dancê para rodar na sua cabeça e sair bailando sem a menor vergonha de dançar alegremente. Se Tulipa nos diz que um bom estímulo pode nos trazer boas influências, deixe-se levar por este CD que, para nós, já nasceu clássico.


28 de maio de 2015

TROVA # 48

UMA FLOR QUE CANTA E DANÇA


Toda sequência tem uma rotina
Toda rotina te causa estrago
Todo estrago merece um conserto
Todo conserto te modifica.
(Tulipa Ruiz & Gustavo Ruiz)






Certas flores, quando entram em contato com a brisa do dia, dançam com a naturalidade com o vento. A flor que será o tema do nosso texto de hoje não apenas consegue dançar com as brisas, como também possui o talento irresistível do canto. Tulipa Ruiz é uma cantora de muita sorte: dona de uma voz invejável, com um timbre de alcance insólito. Além disto, é dotada de outros talentos que vão além do binômio cantora/compositora – é uma desenhista de mão cheia, para não citar outros exemplos.


O som de Tulipa chegou aqui em casa logo após o lançamento de seu primeiro CD, Efêmera (2010), que rendeu muito entusiasmo por parte das pessoas. Dois anos depois, o mundo inteiro se apaixonou por Tudo Tanto (2012), que fez de Tulipa Ruiz uma verdadeira estrela da canção dos anos 2010. Confesso que não me entusiasmei muito com o primeiro disco da flor cantante: cheguei até a receber um convite para ver uma apresentação da turnê de Efêmera no SESC Belenzinho, teatro que fica relativamente perto aqui de casa; no entanto, por motivos muito menos nobres, recusei um convite para ir ao show e ainda perdi a possibilidade de conseguir um autógrafo e de dar dois beijinhos na bela flor cantante.



Resolvi matar a curiosidade e fui ver Tulipa Ruiz ao vivo em um show da Tudo Tanto Tour no SESC Santana e confesso que não dei o devido valor para a jovem cantora que comandou um show excelente! À frente de uma banda afiadíssima (mano Gustavo Ruiz na guitarra e na produção musical, Luiz Chagas – seu pai e ex-escudeiro de Itamar Assumpção na lendária Isca de Polícia – na outra guitarra, Marcio Arantes no baixo e Caio Lopes na bateria), Tulipa se revelou como uma cantora extremamente madura e inteligente em suas interpretações ao vivo. Cumprimentei-a rapidamente após a apresentação, pegamos seu autografo (não me lembro se tiramos foto), mas ainda faltava algo maior para que eu fosse finalmente seduzido pela sua arte.



Minha paixão por Tulipa Ruiz se deu de vez com o lançamento de Dancê (2015), seu terceiro CD. Primeiramente porque ela teve peito o suficiente para dar um nome incomum para o seu disco. Segundo porque ela se utilizou de uma tática semelhante à de David Bowie em 1983: ao fazer todo mundo dançar, produziu canções de primeiríssima qualidade. Sua parceria musical com Gustavo Ruiz rendeu canções assumidamente Pop, porém inteligentes, com groove e com muito conteúdo.




E este conteúdo foi azeitado por músicos de primeiríssima qualidade: além da banda que já acompanha Tulipa, a presença de convidados especiais fizeram de Dancê um deleite para os amantes da boa música. João Donato canta e toca o piano Fender Rhodes em “Tafetá”, o grupo Metá Metá (que conta com os vocais inconfundíveis de Juçara Marçal) fizeram de “Algo Maior” um dos números mais marcantes do disco, Kassin empresta seus dotes de instrumentista e produtor em “Físico” e Lanny Gordin toca sua lendária guitarra em “Expirou”, nos ofertando um solo belíssimo.
  

Dancê leva Tulipa Ruiz para um outro patamar em relação às cantoras de sua geração. Suas canções inteligentes, repletas de influências da tradição da melhor MPB (quem conhece bem o trabalho de Gal Costa e acompanha a bela flor cantante sabe que Gracinha é uma de suas maiores influências musicais), fazem com que seus três discos sejam exemplos de uma bela obra em progresso. Melhor de tudo, é um disco que não apenas te faz dançar, mas que também te obriga a pensar e a ver algumas coisas de uma maneira diferente. Por isso, de acordo com a filosofia pregada por Tulipa, é dançando que se resolve os problemas desta vida!


P.S. # 1: Escrevi um texto sobre o Dancê para o Pequenos Clássicos Perdidos, do nosso querido mestre e guru Fábio Bridges. Para ler o texto, é só conferir o link a seguir: http://pequenosclassicosperdidos.com.br/2015/05/26/tulipa-ruiz-dance-2015/


P.S. # 2: Um mea culpa se faz necessário... Tive a terceira  oportunidade de ver Tulipa Ruiz cantando ao vivo em São Paulo foi na estréia da Dancê Tour, nos dias 22, 23 e 24/05/2015 no Teatro Paulo Autran, em pleno SESC Pinheiros (SP). Por motivos de força maior, tivemos que recusar os convites para uma das noites (que tínhamos conseguido quase que na base do tapa), para minha total desolação. Enquanto Tulipa e sua trupe não voltam para cá com a missão de fazer Sampa dançar, vou bailando ao som do CD mesmo... Este link dá uma prévia bem interessante do que foi a estréia do bailão da Tulipa: http://www.noize.com.br/um-novo-patamar-para-tulipa-ruiz


ALGUNS VERSOS QUE FAZEM DE DANCÊ UM CONVITE PARA O SEU PENSAMENTO:

Começou
Agora você vai tomar conta de si

Das tuas minhocas, caraminholas,
das encucações, dos teus pepinos
Das pérolas, das abobrinhas,
dos abacaxis, dos nós, dos faniquitos.
Prumo
Tulipa Ruiz & Gustavo Ruiz

Cada um tem seu formato
Apertado, colado, justo
Largo, folgado, amplo, vasto
Cheio, graúdo, forte, farto
Esguio, fino, compacto.

Visto GG, você P
Você P, eu GG
Visto GG, você P
Você P, eu GG
Proporcional
 Tulipa Ruiz & Gustavo Ruiz

Fino
Só você
Elegante
Sabe bem
Muito trato
Combinar
Na lapela
Tem o dom
Tem um padrão
Já que tem
Desenhado
Sabe usar
Tem casaco
Dégradé
Engomado
Tafetá
Tafetá
Tulipa Ruiz & Gustavo Ruiz – Part. Esp.: João Donato

Apaga, filtra, manera
Massageia o esqueleto
A cuca, a cabeça, a traqueia
Cotovelo do esqueleto
A lombriga, clavícula, pé e a costela do esqueleto

Dormir é o meu sonho principal
Legado aos olhos como se fosse elixir
Dormir é o meu sonho principal
Legado aos olhos como se fosse elixir

Zero reflexão, zero
Zero reflexão, zero
Zero reflexão, zero
E entra no estado zen.
Elixir
Tulipa Ruiz & Gustavo Ruiz

Trato azedume, mau-olhado, ‘quebrante’, vício
Trato treta de trabalho
Trabalho com amarração
Resolvo o seu problema com baralho, com pôquer, bingo
Pra bituca de cigarro eu tenho a solução
Trago seu amor de volta se me fizer uma visita
A gente faz uma combinação, você acerta e acredita
No duro, dá certo
Nunca houve reclame.
Reclame
Tulipa Ruiz, Gustavo Ruiz, Caio Lopes, Marcio Arantes & Luiz Chagas

Sinto falta de um tempo que ouvi dos amigos
Tava escrito num livro
Tocou numa vitrola
Foi dançado, cantado, recitado, falado
Publicado, sentido, decupado, contado
Mas eu não tava ali

Quando é que a saudade daquilo que a gente não viveu passa?
Se passa, parece que já foi, mas quando você vê volta
Volta porque tem a sua cara, tem a ver com a sua história.
Expirou
 Tulipa Ruiz & Gustavo Ruiz – Part. Esp.: Lanny Gordin

Todo motivo te leva a querer
Todo querer te faz ter vontade
Toda vontade te faz ter impulso
Todo impulso sempre me estimula
Jogo do Contente
Tulipa Ruiz & Gustavo Ruiz

Era pra ficar no chão
Deu pé, decolou
Era pra ter sido em vão
Como é que durou?
Era pra ficar ali e por aí caminhou

Era pra ser menos sério
Mais cara-de-pau
Era para ser só nuvem e precipitou
Podia não ter dado em nada
Então como é que virou?
Virou
Tulipa Ruiz, Felipe Cordeiro, Gustavo Ruiz, Manoel Cordeiro & Luiz Chagas – Part. Esp.: Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro

Tudo que eu gosto tá em você
É puramente físico
(...)

O formato do nariz
Osso pontudo do pescoço
Lóbulo da orelha
Desenho da sobrancelha
Pintas pela pele
Pelos, tornozelo
Dedo, nuca, calcanhar, cabelo
Da boca pra fora
Fora de fora pra dentro
(...)
Você veio assim sem defeito.
Físico
Tulipa Ruiz & Gustavo Ruiz – Part. Esp.: Kassin

Vai ter tempo de sobra
Mesmo sendo velho, sabe sobre tudo
Sempre pra valer
Volta e meia, cê volta
Nunca é tarde, pelas tantas recomeça
Vence em convencer
Não tem fim, nem começo
O agora é agora, voa
Já passou, olha, passou
E fica também na sua memória
Sempre você
O tempo e você.
Old Boy
Tulipa Ruiz

Tá pra nascer algo maior
que vá tirar do lugar as coisas que cismam em não andar
Tá pra nascer algo maior
que tudo o que você já viu, leu, sentiu, soube ou ouviu
Não sinta medo nem dó de ser feliz e se soltar,
de saber bem o que lhe convém
Tá pra nascer quem viva só,
pois de me, myself and I já basta eu, você e nada mais.
Algo Maior
Tulipa Ruiz, Gustavo Ruiz & Luiz Chagas – Part. Esp.: Metá Metá