Dois episódios de intolerância e
burrice que podem levar a democracia para o colapso
“The
lunatic is in my head
The
lunatic is in my head
You
raise the blade,
you
make the change
You
re-arrange me ‘til I’m sane
You
lock the door
and
throw away the key
There’s
someone in my head
but
it’s not me”
(Roger
Waters, 1973)
Todos nós sabíamos
que os primeiros dias de 2021 não seriam nada fáceis para o Brasil, tampouco
para o resto do mundo. Porém, dois eventos ocorridos na primeira quinzena de
janeiro demonstram que, tal qual nos diz o ditado, “miséria pouca é bobagem”.
Nos
EUA, Donald Trump entrou no ano novo ainda sem ter admitido que a derrota por
Joe Biden nas eleições presidenciais de 2020. O mundo inteiro sabia que o
demônio de laquê faria mais uma investida contra as instituições
norte-americanas para garantir mais quatro anos dentro da Casa Branca. A
transferência de poder, longe de ser harmônica e republicana, tem sido uma
troca de acusações, deixando a opinião pública em alerta por se tratar do país
mais poderoso do planeta.
No
dia 6 de janeiro de 2021, o mundo tomou conhecimento da cartada de Trump para
manter o poder. Diretamente de Washington, incitou uma horda de supremacistas
brancos fanáticos para marchar até o prédio do Capitólio e impedir os membros
do Congresso Nacional de diplomar Biden como o 46.º Presidente dos EUA. Os
invasores invadiram um prédio público com facilidade, promovendo arruaças,
quebra-quebras, pondo a vida de centenas de congressistas em risco. Cinco
pessoas foram mortas em um dos eventos mais vergonhosos da história da
democracia, com direito a transmissão mundial e em tempo real.
Para
estas retinas um tanto fatigadas, a cena mais estarrecedora de 6 de janeiro foi
revelada no dia seguinte. Um vídeo divulgado por Donald Trump Jr., filho mais
velho do Presidente, mostrava imagens da comitiva presidencial acompanhando a
insurreição do Capitólio por meio de imagens de câmeras de segurança
diretamente dos jardins da Casa Branca. Enquanto a barbárie avançava ferozmente,
acuando os congressistas norte-americanos e demais presentes, os autofalantes
tocavam “Gloria”, um sucesso de Laura Branigan que tinha feito enorme sucesso
no início dos anos 1980.
Ao mesmo
tempo em que correligionários trumpistas dançavam e urravam de alegria e
excitação, ouviam-se os versos “Gloria,
/ don't you think you're fallin'? / If everybody wants you, / why isn't anybody callin'?”
[Glória, / você ainda não entendeu que está caindo? / Se todo mundo lhe quer /
por que não há ninguém chamando?”]. Por uma ironia do destino, os trumpistas bailavam
tinha a trilha sonora perfeita para demonstrar que não se importavam com o fato
de que mais de 80 milhões de pessoas e de que centenas de delegados se
recusaram a prosseguir com o projeto de governo catastrófico de Donald Trump
por mais quatro anos. O escárnio e o deboche daqueles indivíduos me deixaram
profundamente revoltado por não haver nenhuma demonstração de empatia ou apreço
pelas instituições.
Como
consequência do horror que se abateu pelo Capitólio, um pedido de impeachment
contra Donald Trump foi impetrado pela oposição do Partido Democrata,
julgando-o culpado pela invasão do Congresso dos Estados Unidos. Nenhum
político estadunidense conseguiu a marca histórica de ter sido condenado duas
vezes por pedidos de impedimento (da primeira vez ele foi absolvido pelo Senado
dos EUA). A
ignorância trumpista, depois de tantos males feitos em 4 anos, parece estar
chegando ao seu apogeu.
Logo
após os States vivenciarem os
espasmos das primeiras vertigens de sua democracia, o nosso processo
democrático apresentava novos sinais de que está adentrando em falência
múltipla. Enquanto o número de doentes por COVID-19 aumentava assustadoramente devido
às reuniões familiares e aglomerações das festas de fim de ano, o Indigno
Presidente da República Federativa do Brasil se dizia preocupado com o futuro
da nação ao demonstrar pesar com a importância do voto impresso e de que o
ambiente político-social brasileira ficaria pior do que o norte-americano se
ele não for reeleito em 2022. Durante os primeiros dias do ano, o Ministro da
Saúde (um militar “especialista” em logística) destilava a sua arrogância e o
seu desconhecimento da complexidade do Sistema Único de Saúde (SUS), deixando a
imprensa e a população em estado de perplexidade diante de seus
pronunciamentos. O conhecimento científico passou a contar com o deboche do
Presidente e de seus asseclas.
Porém,
a tragédia anunciada há tempos por epidemiologistas e outros especialistas em
pandemias, controles epidêmicos e cargas virais se concretizou no raiar do dia
14 de janeiro de 2021. O sistema de saúde de Manaus, capital do Amazonas,
atingiu o nível máximo de internações, esgotou todo o seu estoque de oxigênio e
entrou em colapso. Enquanto doentes morriam por asfixia, profissionais de saúde
e familiares se desesperavam para tentar salvar quem agonizava nos leitos
hospitalares. Durante a espera de uma vacina para nos protegermos do
coronavírus, assistimos milhares de brasileiros mortos por dia sem poder fazer
quase nada. A ignorância bolsonarista, depois de tantos males feitos em 2 anos,
parece estar chegando ao seu ápice.
*
A
Era da Mediocridade em escala mundial foi inaugurada por Trump em 2016 e teve
nas chamadas fake news o seu
combustível para tomar a democracia de assalto. Dois anos depois, o Brasil
elegeu um dos políticos mais repugnantes da história para o posto político mais
alto da República graças a um misto de desinformação, desumanidade e desserviço.
O espaço público tem convivido com o que há de mais abominável em matéria de
seres humanos ultimamente, deixando todo o ódio de classe, de raça e de gênero
aniquilar o que ainda resta de direitos humanos por estas bandas.
Ao contrário
do que acontece na letra de “Brain Damage”, uma das canções mais emblemáticas
do repertório do Pink Floyd, o louco que estava na minha cabeça não era eu. De
uns tempos para cá, ele deixou de habitar os meus pesadelos para apresentar a intolerância
com o intuito de ofuscar a sabedoria e a diversidade, causando uma histeria
coletiva de ódio e de ignorância. Graças às correntes toscas de redes sociais e
de aplicativos de mensagens, passei a ter um respeito maior pela figura pública
de Roger Waters, ex-baixista e líder da lendária banda inglesa, pois poucos
escreveram tão bem sobre ódio e intolerância em matéria de canção. Em tempos de
mediocridade e ignorância, é fundamental louvamos quem preza por liberdade e democracia
e Waters sempre fez questão de denunciar fascistas e autoritários para seus
ouvintes.
Por fim,
nunca é demais dizer que a chamada “Era da Mediocridade” exige um preço alto
daqueles que ainda cultivam a inteligência. Mais do que exaltada, a ignorância
é glorificada por meio de autofalantes e pelos brados dos idiotas e tem matado
milhares de brasileiros por uma peste que não tem previsão de nos abandonar tão
cedo. Mas, enquanto estivermos aqui, estaremos respirando, cantando,
escrevendo, protestando e xingando contra todo e qualquer autoritarismo.
Afinal, os “esquerdistas” também amam. Às vezes, até demais...
Dentre todas as irregularidades que tem acontecido no país desde o golpe
de 2016, as piores delas se concentram nos ataques incessantes contra as
escolas brasileiras. O Ministério da Educação não apenas limitou o orçamento
das Universidade, como também cortou programas universitários (saudades do
CiênciasemFronteiras, amiguinhos?) e realizou uma reforma do Ensino Médio completamente
estapafúrdia e autoritária – alunos e professores não foram sequer convidados a
debater o tema a fundo. Porém, nenhuma destas arbitrariedades chama mais a
minha atenção do que as propostas do grupo Escola sem Partido.
Idealizado por um advogado de São Paulo, o ESP alega que o principal mal
das escolas brasileiras reside no fato de que os alunos são doutrinados por
docentes esquerdopatas que impõem suas concepções políticas, morais e
religiosas em plena sala de aula – ignorando completamente o fato de que os professores
ganham mal, de que a educação privada é orientada por lógicas desumanas de
mercado e de que as escolas públicas estão cada vez mais sucateadas e sofrem
com o descaso das autoridades. De acordo com os mentores, nós, professores,
devemos ser combatidos pelo Estado e impedidos de expor nossas crenças e concepções
em nosso ambiente de trabalho. O que me pergunto diante de tamanhas propostas é
o seguinte: por que docentes engajados e escolas participativas incomodam tanto
os conservadores e poderosos?
A escola, em linhas gerais, deixou de ser o espaço opressor e retrógado tal
qual observamos no filme The Wall,
do Pink Floyd. Os bancos escolares do passado eram repletos de alunos
reprimidos por professores e gestores que tratavam os espaços estudantis tal
qual se fossem prisões. Em pleno século XXI, os estudantes possuem a liberdade
(muitas vezes abusam da mesma!) de agir como desejam; o mesmo deveria valer para
aqueles que se dedicam ao ensino, principalmente após a redemocratização do
Brasil. Por sermos cidadãos, somos políticos. Por sermos profissionais de
educação, temos o compromisso de atuarmos criticamente, pois é através da
disseminação do saber é que fazemos um país andar para a frente. Se há um
interesse para que o conhecimento se perpetue, é preciso ser responsável e
apresentar os dois lados da moeda para cada fato a ser discutido em sala de
aula, por exemplo.
O ESP acusa os professores de serem “doutrinadores” por colocarmos em
prática preceitos marxistas, no entanto, veem Mises como um guru e Paulo Freire
como a personificação de Lúcifer ou apenas um petista ordinário. A partir desta
lógica muito pessoal e peculiar, eles se sentem à vontade para cercear e
intimidar o trabalho de operários do ensino, estes comunas vermelhos, comedores
de criancinhas dispostos a almoçar os cérebros de nossos jovens a qualquer hora
do dia. Minha experiência como profissional da rede privada de ensino esfregou
na minha cara que a lógica mercadológica, amada pela direita sempre deu o tom
da ideologia dos estabelecimentos – o aluno, isto é, o pagante é o cliente que
sempre tem e terá razão – e nunca foi objeto de perseguição dos órgãos oficiais
ou do ESP.
Duas escolas da Prefeitura de São Paulo receberam a visita de um
vereador ligado ao MBL (Movimento Brasil Livre) no início de abril de 2017. O intuito
da “visitação” era o de fiscalizar as condições das instituições e verificar se
os professores não estariam doutrinando os alunos daquelas unidades escolares. A
repercussão pública foi escandalosa: as redes sociais e seus partidários e seus
partidários de esquerda e de direita entraram em mais um debate baixo e
violento; a grande imprensa e os vassalos do GAFE (Globo, Abril, folha e
Estadão) viram nesta discussão acalorada uma oportunidade e tanto para atirarem
mais lenha na fogueira; o Secretário Municipal de Educação – a autoridade mais
competente e habilitada para nos orientar e fiscalizar) – decidiu pedir demissão,
mas foi demovido da decisão pelo Prefeito de São Paulo, João Dória.
O fator mais revoltante da visita do vereador do MBL não foi a simples e
notória patrulha ideológica ou a imposição da tática de mercado de fiscalizar
os funcionários para verificar se a produção está de acordo ou não com a meta
esperada. Atos como estes restringem a liberdade dos professores através da
pura e simples intimidação, tal qual ocorria nos tempos da ditadura militar. Este
é o pior retrocesso imposto pelo golpe de estado liderado por Michel Temer e o
PMDB: reprimir profissionais de ensino, limitar a atuação crítica das escolas,
sucatear a educação pública, atingir o povo com a retirada de um de seus
direitos mais importantes.
Escolas são espaços de liberdade: a pluralidade de saberes precisa ser
mantida, a diversidade precisa ser respeitada (daí a importância de se discutir
questões de gênero com nossos alunos, por exemplo), a liberdade do professor em
um ambiente de trabalho tão desgastado – salários baixos, assédio moral, burocratização
e mercantilização do ensino – não pode ser patrulhada por fascistoides
populistas. A lógica da mordaça para combater nossas crenças em pleno século
XXI não nos cabe mais.
É por isto que acredito na importância da luta dos profissionais de
Educação para que nosso trabalho não seja golpeado de maneira tão dura pelos
defensores do ESP. Sem resistência, há retrocesso. Sem luta, há patrulhamento. Sem
a crença em nós mesmos e no nosso poder de alcance, não há um Brasil melhor.
(alguns episódios pessoais e públicos
de como o dinheiro pode nos causar amor e ódio)
"Money, so they say
Is the root
of all evil today
But if you
ask for a rise
It's no
surprise that they're giving none away"
(Roger Waters - "Money", canção do lendário álbum The
Dark Side of The Moon [1973], do Pink Floyd)
Minha relação com o dinheiro sempre foi muito
difícil. Complicada mesmo, tal qual uma relação intempestiva de dois amantes
que se amam muito e que vivem em pé de guerra permanente.
Já fiz coisas horrorosas por não ter o tal do vil
metal em mãos para adquirir algo. Já fiz coisas indignas, cedendo às tiranias
dos outros, para poder garantir um pingo de estabilidade financeira.
Consequência direta? Chegar à conclusão do quanto eu me anulei para poder
satisfazer às demandas do mercado do qual eu faço parte - no caso, a educação
privada. Consequência indireta? Minha qualidade de vida se tornou bastante
comprometida ao ter que trabalhar todas às noites e durante meus finais de
semana durante anos.
Devo confessar não me arrependo de muitas coisas
que já fiz por dinheiro. Entretanto, aprendi muito sobre mim, sobre os outros e
(especialmente) sobre a falta de escrúpulos das instituições, amparadas pelo
Capitalismo que nos rege. Acreditei piamente (e, de vez em quando, ainda acredito)
na frase clássica de Nelson Rodrigues que dizia: "O dinheiro compra tudo.
Até amor verdadeiro". Quando comecei a me olhar no espelho e ver os
reflexos do envelhecimento rápido (calvície, olheiras de estimação, metabolismo
mais baixo, gordura localizada) e que estava vivendo 3 anos em 1, aprendi da
maneira mais dura e difícil de que não há salário alto ou benefício que
compense a sua qualidade de vida.
Quando você trabalha por horas e horas a fio sem
ter possibilidades significativas de crescimento profissional, com a ausência
de um plano de carreira que dê aquele sorriso no rosto para que você pondere a
necessidade de sacrifícios, quase tudo relacionado ao universo do trabalho
deixa de fazer sentido para ti, afinal o lucro que está sendo gerado, em
primeiro lugar, jamais pertencerá a você. Remuneração nenhuma substitui a
possibilidade de você ver seu sobrinho que mora em outro estado crescer pelas
redes sociais ou pelo celular ou a primeira visita da afilhada que veio passar
o dia na sua casa enquanto você não está. Os momentos familiares perdidos por
causa do seu trabalho doem na alma. Penso na dor de meu pai ao passar sua
juventude tendo que trabalhar para sustentar esposa e dois filhos. Penso no
sofrimento de meu avô em ter que começar um negócio próprio praticamente do
zero e fazer prosperar através de muito suor enquanto os filhos cresciam e sua
mulher trabalhava arduamente para dar conta de uma casa.
Já ganhei um bocadinho de plata nesta vida afora como professor em escolas regulares e institutos de idiomas. Não investi meus rendimentos e
economias em um negócio próprio por jamais me imaginar como chefe ou alguém que
deve administrar as finanças ou tomar decisões de grande porte. Jamais
ambicionei o desejo de ter um carro 0km ou refeições regadas a champanhe e
caviar como uma prioridade de vida. Roupas de marca e de fino trato até me
interessam, mas prefiro meus velhos farrapos ao invés de ter que investir
milhares de reais em um camisa pólo ou um sapato de presença que vá além de 200
reais. Jet set? Restaurantes claros
e/ou cafés da moda? Baladinhas do momento ou casas de stand-up comedy? Não, obrigado! / No Thanks! Cogitei a possibilidade de um dia ter um teto para poder
chamar de meu, porém os bancos ainda acham que o meu cartão de crédito é uma
navalha. Um claríssimo exemplo de um amor jamais correspondido. Um ódio
descaradamente declarado.
Desde sempre, compreendi que o mundo seria muito
mais interessante pra mim a partir de um investimento maciço na
intelectualidade. Não me tornei um grande pensador, tampouco em um influente
formador de opinião. Por outro lado, já posso plantar meus amigos, meus discos
e meus livros e nada mais - algo muito mais atraente do que roupas, festas,
carrões e drinks à base de Red Bull.
Com isso, não me sinto na eterna obrigação de agradar todo mundo, o que me faz
um inimigo público de peso de acordo com uma boa parcela da sociedade.
Resumindo: por ter escolhido o caminho menos óbvio, o dinheiro é algo de pouca
relevância para mim, apesar de ser essencial para muitas atividades que faço.
A consequência por ter me feito um indivíduo menos
materialista e mais pragmático? Desenvolvi uma capacidade crônica em lidar com
dinheiro. Os credores e os bancos me amam de paixão por causa desta aptidão e
pela facilidade impressionante em contrair dívidas. Minha revolta com o
Capitalismo tem sido minha resposta para o fato do vil metal nunca ter gostado
de mim, o que é um sentimento mútuo entre nós dois. O que me consola é o fato
de não ser o único: o Poeta Vinícius de Moraes era conhecido entre seus
familiares e amigos pela sua enorme incapacidade em lidar com as finanças. Dizem
as lendas que o Poetinha, que se casou nove vezes, saía de cada um de seus
divórcios apenas com uma muda de roupas e o seu Portinari debaixo
do braço, prova claríssima do seu profundo desapego em relação à grana.
Em contrapartida, a ambição e a vontade desmedida
por dinheiro pode levar o ser humano a cometer atos indecentes, deploráveis,
nojentos, dignos de causar vergonha. Alguns exemplos bastante palpáveis deste
fato são a corrupção dos políticos que elegemos, a eterna ganância das
corporações, o desrespeito pelo ser humano em prol do lucro individual é
limitado. Por causa do amor por este malandro que não nos ama ou não nos
corresponde da mesma maneira, invertemos os valores da sociedade em que
vivemos, passando a fazer da exceção à regra. Atitudes éticas se tornam em
artigos enfadonhos. A arte e o pensamento crítico são relegados para outros
planos e deixam de ser prioridade. O lucro e o sucesso são a cartilha a ser
seguida.
O artista e o intelectual, por estarem plenamente
comprometidos com a sensibilidade, geralmente possuem dificuldades gritantes em
lidar com o vil metal. Leonard Cohen, por exemplo, se lançou em uma extensa
turnê mundial devido a um gigantesco desfalque dado por sua ex-empresária. Os
Beatles se separaram de vez em 1970 devido às disputas financeiras que azedaram
a amizade e parceria musical de John Lennon e Paul McCartney. Os Rolling Stones
seguiram rumo ao exílio na França a partir de 1971 por causa das dívidas
astronômicas de Jagger & Richards com o fisco inglês. Dizem que Barbra Streisand
retornou aos palcos depois de 20 anos de recusa em fazer turnês simplesmente
porque o dinheiro tinha acabado. Sinais evidentes que as verdinhas podem
amá-los, como também odiá-los com uma intensidade impressionante.
Sem falsa modéstia ou “vitimismo” descarado, afirmo, sem rodeios, que pertenço ao grupo daqueles que o dinheiro sempre odiou. Com muito orgulho é um
pouco de vergonha. Sempre me pergunto por onde esse verdinho anda depois do dia
6 ou 7 de cada mês, pensando nas culpas e na minha eterna inaptidão em lidar com
ele. O vil metal, o mais malandro de todos os malandros, volta sorrateiramente
ou no último dia da temporada ou no quinto dia útil para, logo depois, bater
cruelmente em retirada. Quando eu aprender a ser um romântico calculista, ele
vai ficar do meu lado durante uma temporada mensal completa. Até lá, preciso
entender a lição do velho Tio Patinhas e tomar decisões mais pautadas pelo
cérebro, não pelo coração. Quem sabe a maturidade dos meus 30 e poucos anos me
dê a oportunidade de um dia poder zombar daqueles que sorriram diante dos meus
fracassos e das solas gastas dos meus sapatos furados. Talvez eu não consiga
comprar um time de futebol ou um Lear Jet,
mas quem sabe posso garantir um mínimo de conforto para a velhice?
Em
homens de inteligência
Que, às vezes, fico pensando
Que a burrice é uma ciência"
(Guto
& Mariozinho Rocha - "Cabra Macho" - canção interpretada
brilhantemente por Nara Leão em seu
disco Nara, de 1967)
"Haven't
you heard it's a battle of words
the poster bearer cried
Listen son, said the man
with the gun
There's room for you inside
(...)"
(Roger Waters & Richard
Wright - "Us and Them" - uma das faixas do lendário album The
Dark Side of the Moon, lançado pelo Pink
Floyd em 1973)
"Será
que nunca faremos senão confirmar
A
incompetência da América católica
Que sempre precisará de ridículos tiranos
Será, será, que será?
Que será, que será?
Será que esta minha estúpida retórica
Terá que soar, terá que se ouvir
Por mais zil anos"
(Caetano Veloso - "Podres
Poderes" - canção que abre o seu álbum Velô, de 1984)
Lembro muito bem de ter lido um ensaio muito famoso
de Roberto Schwarz na época em que fazia minhas pesquisas para o Mestrado. O
texto afirmava com uma exatidão notável de que na década de 1960, em meio a uma
ditadura que florescia a olhos vistos, a classe artística e intelectual do Brasil
estava "irreconhecivelmente inteligente". Schwarz estava certíssimo:
seu pensamento serviu (e ainda nos serve) como referência para pensar um país
tão complexo e contraditório como o nosso.
No entanto, o pensamento que melhor traduz a
desordem mental e intelectual de uma boa parcela dos brasileiros é o do já
saudoso ensaísta, escritor e intelectual Umberto Eco. O autor de O Nome da Rosa
disse, sem rodeios, de que as redes sociais ampliam o pensamento e as vozes dos
imbecis. Tempos inglórios estes que reproduzem o pensamento de uma elite e de
uma mídia infinitamente conservadora e sórdida que se assemelham ao caos vivido
por muitos de nós nos anos 1960. Porém, há uma diferença aterradora: a
inteligência dos tempos de outrora passou longe de uma boa parcela da
sociedade...
O Brasil enfrenta uma das crises políticas mais
graves de sua história. A Presidente Dilma Rousseff corre o risco de ser
impedida de governar oficialmente devido a acusações de ter infringido a lei de
responsabilidade fiscal. Julgada por uma Câmara dos Deputados majoritariamente
corrupta, que se comporta como paladinos da moralidade, da decência e da
honestidade, muitos desses Senhores não só nos representam mal, como estão
preocupados com seus próprios interesses. Quando vejo a TV Câmara, com o
desfile de hipócritas falando sobre corrupção, vejo o quanto uma canção
interpretada por Nara Leão no auge da ditadura militar continua de uma
atualidade impressionante: é muito fácil ser "cabra macho" e acusar
os outros; difícil mesmo é ser homem e assumir os crimes cometidos e revelar o
seu rabo preso.
Para piorar, a grande mídia brasileira -
assumidamente partidária e controlada por menos de DEZ famílias ricas - se
levanta assumidamente contra aqueles que pretendem dar um golpe na democracia
brasileira. Eu me pergunto ATÉ QUANDO teremos que cantar canções que tratam do
egoísmo daqueles que se refestelam no poder, da incompetência dos tiranos que
querem fazer do Brasil um país mais desigual, que não dá oportunidades para
todos os seus habitantes? O papel dos meios de comunicação brasileiros é
determinante neste processo, visto que eles advogam em causa próprias, em prol
dos corruptos e não de uma pessoa idônea, que nunca se beneficiou dos seis anos
na Presidência da República. Os jornais e a TV manipulam as informações e dão
ampla sustentação a um impeachment travestido de golpe de estado que pode
comprometer a democracia de maneira fatal. Veículos de peso como a Folha de S.
Paulo possuem entre seus colunistas indivíduos de moral baixa e vergonhosa como
Reinaldo Azevedo e Kim Kataguiri. Enquanto isso, muitos repetem o eternamente
viciado discurso midiático formulado pela canalhice de dois ou três como
cassandras robotizadas e inconscientes da gravidade dos fatos.
O clima de ódio e agressividade passa a tomar conta
das manifestações políticas de uma maneira muito nociva. Ao ponto de nomes como
Chico Buarque de Hollanda, um eterno defensor da democracia e da liberdade de
expressão, chegar a ser infinitamente enxovalhado em praça pública, pela mídia
golpista e nas redes sociais. Como dizia a famosa canção de Rita Lee &
Roberto de Carvalho, eternizada pela voz de Elis Regina: hoje vivemos tempos de
"muita patrulha" e "muita bagunça", nos quais torna-se
difícil de encontrar a verdade dos fatos. Os inegáveis erros dos governos
petistas (corrupção de membros do governo, coerência, falta de medidas de
"esquerda") acabam falando mais alto do que os indiscutíveis acertos
das administrações de Lula e Dilma.
A burrice se tornou uma constante de uma parcela
maciça da esfera pública. A criação do maior número de universidades federais,
a inclusão social que gerou uma diminuição expressiva da fome no Brasil e a
ascensão das classes C, D e E, a garantia de alguns direitos das minorias são
algumas das conquistas dos governos do PT que foram sumariamente ignoradas por,
pelo menos, metade da população brasileira. Por outro lado, os governos de
oposição - especialmente os do PSDB - não recebem o julgamento de uma significativa
parcela da mídia e da sociedade. Alguns exemplos deste fato no Sudeste devem-se
ao descaso do governo Alckmin com os transportes, a educação e os bens
culturais: nenhum afiliado tucano foi julgado pelos envolvimentos no Tremsalão,
as escolas estaduais se encontram em um estado deplorável, dois centros
culturais importantíssimos sofreram incêndios e não temos a menor perspectiva
de termos acesso ao Museu da Língua Portuguesa e ao Auditório do Memorial da
América Latina. O que podemos dizer dos mais de 20 museus fechados no RJ em
prol do Museu do Amanhã, construído só para inglês ver? Esperamos até hoje
que os responsáveis pela tragédia de Mariana (MG) sejam devidamente punidos
pelas autoridades...
Junto com a burrice das instituições, a hipocrisia se
destaca de maneira impressionante. Os redutos da elite desejam dar o tom de um
pensamento único neste país, sem direito de exercer qualquer espécie de
discórdia. O fascismo generalizado progride através de um conservadorismo
atroz. Este texto é um apelo para que a esfera pública não se permita abater
pela burrice, ciência que deveria ser estudada e entendida a ponto de que os
erros do passado não sejam repetidos no presente e comprometam o futuro. Para
os que não compreendem a importância da democracia e não entendem a importância
do lado escolhido por mim, deixo uma frase do diretor e encenador teatral
Gerald Thomas como mensagem direta: "Joguem essas pedras, meus amores!
Precisamos delas!". Não tememos o preço de levantar nossas vozes dissonantes
a favor das lutas inglórias e a favor da liberdade e da democracia...
ESTE BLOG SE POSICIONOU PUBLICAMENTE CONTRA O GOLPE. CONFIRA NO LINK:
“Será que isto que estou te escrevendo é
atrás do pensamento? Raciocínio é que não é. Quem for capaz de parar de
raciocinar – o que é terrivelmente difícil – que me acompanhe.” (Clarice Lispector,
em seu livro Água Viva, de 1973. Rio de
Janeiro: Rocco, 1998, p.30).
Eu ainda sonho com o dia em que eu
poderei embarcar em uma máquina do tempo como o carro do filme De Volta Para o Futuro e fazer uma
temporada pelo passado. Gostaria de voltar 40 anos no tempo presente e ir para 1973. Não porque
foi um ano de glórias para a humanidade e para o Brasil – enquanto a ditadura
de Médici e seus comparsas comia livre, leve e solta por aqui, o mundo vivia a
crise econômica do petróleo, além de um clima de autoritarismo e repressão que
pairava pelos ares. Não foi um momento de glória, mas de várias tentativas de
libertação de um sistema que nos cerceava mais e mais...
A música do planeta, por outro lado,
nos trouxe momentos de pura contestação aos valores vigentes e de esperança na
humanidade. No Brasil, 1973 foi um dos anos mais revolucionários de toda a
história da música brasileira. Na cena internacional, obras-primas foram
lançadas e um reencontro marcou a memória musical de ouvidos no mundo inteiro.
Aí vai mais uma lista (repleta de
muita afetividade) de 14 motivos musicais que te fariam sonhar com uma máquina
do tempo e embarcar para 1973, este ano riquíssimo em experiências musicais:
14) Led Zeppelin – Houses
of the Holy
Depois de lançarem quarto discos que
continham apenas o nome da banda (Led
Zeppelin I, II, III e IV), os rapazes do Led Zeppelin eram autoridades de primeira
grandeza e decidiram lançar seu primeiro disco com material inédito. Entre
janeiro e agosto de 1972, gravaram várias canções para Houses of the Holy entre
estúdios badalados de gravação (Olympic Studios, em Londres, e Electric Lady
Studios, em Nova York) e deixaram apenas OITO para o disco. A faixa-título, por
exemplo, apesar de ter sido gravada para o quinto álbum do Zeppelin só veio a
público em 1975, com o álbum duplo Physical Graffiti.
O disco abre com o clássico “The Song
Remains the Same”, canção de Jimmy Page e Robert Plant na qual, Mr. Page, no
auge de seu virtuosismo, gravou OITO guitarras diferentes, isso
mesmo: OITO guitarras diferentes para a faixa! Outras faixas do
disco que se tornaram clássicas foram “Over the Hills and Far Away”, “Dancin’
Days”, “D’yer Maker” (uma contração de “Did
you make her” com a palavra “Jamaica”)
e “No Quarter”.
A minha canção preferida deste clássico é
justamente a última do disco. “The Ocean” reflete bem o quanto Jimmy Page,
Robert Plant, John-Paul Jones e John Bonham trabalhavam bem juntos. Tinham uma
sinergia tão perfeita quando estavam em atividade em pleno palco, que a
impressão que tenho é a de que eles eram um só. Um zepelim que voava alto e
pairava sobre nossos ouvidos sem licença através de riffs de guitarra geniais, de uma voz lancinante, de um baixo e
teclados que adornavam a massa sonora condimentada pelo baterista mais genial
que já aportou por estas galáxias...
13) Maria
Bethânia – Drama, 3.º Ato: Luz da
Noite
Em 1973, Maria Bethânia já não era
mais conhecida como “a irmã de Caetano Veloso que cantava música de protesto”.
Era uma artista reconhecida por espetáculos nos quais misturava música e
poesia, sendo Rosa dos Ventos – O Show Encantado o mais bem-sucedido de toda
a sua carreira até então. Drama, 3.º Ato: Luz da Noite é o
registro (parcial) em disco do show que levou aos palcos durante o ano de 1973.
Uma das primeiras canções do roteiro
do show, “Baioque” (Chico Buarque), reflete bem não só o espírito do
espetáculo, como também é um raio-X fidedigno do espírito do artista brasileiro
em 1973: “Quando eu canto que se cuide / Quem não for meu irmão / O meu canto,
punhalada / Não conhece perdão / Quando eu rio/ Quando rio, rio seco / Como é
seco o sertão, meu sorriso / É uma fenda escavada no chão”. Além disso, havia
também um espírito de desbunde e contracultura nos versos finais da canção de
Chico quando Bethânia diz (debochadamente) a plenos pulmões que não quer
“seguir definhando sol a sol” e quer partir “requebrando um rock and roll” e achar um lugar “ao sol
de Ipanema, cinema e televisão” ao invés de dançar o baião que não
necessariamente libertaria o corpo de todos as patrulhas que o envolviam em
1973. Apesar de Bethânia ainda não conseguir fazer as respirações nos momentos
adequados, por exemplo, sua interpretação é de uma intensidade única na música
brasileira – ela canta não apenas com a voz, mas com o corpo inteiro.
12) The Rolling Stones – Goats Head Soup
Depois de abandonarem o Reino
Unido por causa de problemas com o fisco inglês, os Rolling Stones se
instalaram no sul da França para gravar o disco mais importante de toda a sua
história, o sensacional Exile on Main St. (1972) e sair em
turnê pelos EUA ao lado de Stevie Wonder durante o primeiro semestre de 1972.
Como os Stones (leia-se o arruaceiro
matusalém Keith Richards e sua esposa na época, Anita Pallenberg) não eram
bem-vindos em vários países do mundo, um dos poucos países que aceitaram as
pedras rolantes em seu território foi a Jamaica. A banda se reuniu no estúdio
Dynamic Sound, em Kingston, para gravar boa parte de Goats Head Soup, em
novembro de 1972. Ao contrário do que ocorreu no álbum anterior, as gravações
não tomaram muito tempo da banda, o que possibilitou a Mick Jagger, Keith
Richards, Charlie Watts, Mick Taylor e Bill Wyman o fato de saírem em turnê
mundial no ano seguinte.
O hit principal de Goats Head Soup foi “Angie”, uma das
baladas mais importantes de toda a carreira dos Rolling Stones. Muitos
acreditaram que a canção era para Angela Bowie (esposa de David) ou para Angela
Richards (filha de Keith e Anita), no entanto, Jagger e Richards desmentiram as
duas teses anos depois. “Angie” alcançou o topo das paradas de sucesso em
vários países do mundo, contrariando as prerrogativas dos executivos da
gravadora dos Stones. Vamos relembrar um dos momentos mais interessantes deste
disco, a censurada “Star Star”, que trata muitíssimo bem o clichê Sexo, Drogas & Rock ‘n’ Roll.
11) Chico
Buarque – Chico canta Calabar
Em 1973, Chico Buarque de Hollanda
era o inimigo n.º 1 da
ditadura brasileira. Suas canções eram censuradas sem a menor explicação. Sua
peça Calabar, o elogio da traição –
que conta a saga do holandês Maurício de Nassau em terras brasileiras – foi
proibida de ser montada em território nacional pouco antes de estrear. O disco
com as canções compostas para a peça recebeu cortes impostos pelos militares –
canções sem letra, chiados inesperados no decorrer de outras, um horror...
“Cálice”, sua primeira parceria com Gilberto Gil, foi censurada e impedida de
ser executada em pleno festival Phono 73,
evento organizado pela sua gravadora na época, a Philips.
Enfim, a maré não estava nada boa para
o filho de Sérgio Buarque de Hollanda no decorrer da primeira metade dos anos
1970. Chico canta Calabar é o seu último grito de sobrevivência autoral naquele
período. Depois deste disco, diante da paranoia que estava instalada em torno
da figura do referido compositor, vieram os álbuns Sinal Fechado e Meus Caros
Amigos, álbuns nos quais Chico Buarque teve de se impor uma espécie de
autocensura para poder trabalhar.
“Tira as Mãos de Mim” é o meu momento
preferido do disco Calabar. O arranjo de cordas sombrio é tão impressionante que
demonstra a frieza que sentíamos no decorrer dos anos de chumbo.
10) David
Bowie – Aladdin Sane
Depois de sacudir o planeta na pele
de Ziggy Stardust, seu personagem / alter-ego mais famoso, David Bowie não
tinha absolutamente mais nada para provar para o planeta. Já era um rock star
de primeiríssima grandeza, lotando casas de espetáculo, com fotos em capas de
revistas e fazendo bastante barulho.
Apesar de ter “executado” Ziggy no
show final da turnê The Rise and Fall of Ziggy Stardust & The Spiders from Mars,
em meados de 1973, Bowie ainda se ateve ao personagem por, pelo menos, mais um
ano. O disco Aladdin Sane (uma brincadeira com a expressão A Lad Insane – em português, um cara
maluco) foi descrito pelo próprio artista como uma incursão de Ziggy pelos
Estados Unidos, país no qual David Bowie fez história entre 1972 e 1973. O
álbum de covers Pin-Ups, lançado no final de 1973, auxiliou o público a fixar a
imagem e o som do artista inglês nas retinas e ouvidos do grande público.
Quando Aladdin Sane foi lançado, em
abril de 1973, Ziggy ainda não estava morto. Por isso, podemos dizer que este
trabalho é uma continuação do trabalho anterior e que lançou David Bowie para o
estrelato. Não é conceitual como The Rise and Fall of Ziggy Stardust &
The Spiders from Mars, não é intimista como Hunky Dory, mas possui clássicos
que fazem parte de qualquer coletânea de Bowie como “The Jean Genie”, “Time”,
“Cracked Actor” e um cover delicioso de “Let’s Spend the Night Together”, dos
Rolling Stones.
Item obrigatório em qualquer coleção
de amantes de David Bowie, Aladdin Sane
chega aos 40 anos dando muito banho em muita banda surgida nos anos 2000 ou
2010...
9) Luiz
Melodia – Pérola Negra
Luiz Carlos dos Santos era um mero
negro compositor que morava no Morro do Estácio quando foi descoberto pela
trupe dos tropicalistas. Waly Salomão ficou encantado com a poética daquele
jovem talento e apresentou-o para Torquato Neto e Guilherme Araújo, que se
tornou seu empresário. Antes de ser famoso, Luiz Melodia já tinha tido canções
gravadas pelas musas baianas Gal Costa e Maria Bethânia – “Pérola Negra” foi
registrada por Gal em Fa-Tal e “Estácio, Holly Estácio”
foi gravada por Bethânia em Drama – Anjo Exterminado –, por
isso, tinha tudo para ser uma das revelações do ano de 1973.
Apesar do disco de estreia de Luiz
Melodia ser um clássico hoje em dia, Pérola Negra não foi um fenômeno de
vendas na época em que foi lançado. Perinho Albuquerque, produtor e arranjador
da turma tropicalista, fez arranjos maravilhosos para “Magrelinha”, “Pra
Aquietar”, “Vale Quanto Pesa” e a faixa-título. O disco em si reúne estilos dos
mais diversos dentro do universo da música brasileira – samba, choro, forró,
rock – e até hoje impressiona o ouvinte com a diversidade musical e a poética
áspera de Melodia. Um disco que merece ser ouvido e sentido de cabo a rabo!
8) Frank Sinatra – Ol’
Blue Eyes is Back
No início de 1973, havia muita gente
que tinha acreditado que Francis Albert Sinatra não cantaria mais devido a um
anúncio de aposentadoria feito pelo próprio. Para a alegria de muitos de nós, The Voice decidiu revogar sua
aposentadoria e voltou com grande estilo ao disco com Ol’ Blue Eyes is Back em
outubro deste ano, graças a um repertório inédito e uma extensiva campanha de marketing.
O público respondeu prontamente ao
retorno de Frank Sinatra: o disco que marcou o seu retorno ao disco foi topo
nas paradas nos EUA e no Reino Unido e atestou que os olhos azuis estavam
cantando melhor do que nunca. O sucesso mais importante do disco, “Let Me Try
Again” (Paul Anka, Sammy Cahn e Michel Jourdan), é considerado como uma das
interpretações mais marcantes de Sinatra em todos os tempos. Por isso, não vale
a pena escrever muito sobre A Voz, o
importante é deixar que ela cante mais uma vez...
7) Elis
Regina – Elis
No primeiro
semestre de 1973, Elis Regina andava com o prestígio meio abalado com várias
pessoas do meio artístico. Convocada (forçadamente, segundo a própria) a cantar
nas Olimpíadas do Exército, em 1972, em pleno auge da ditadura militar
brasileira, Elis passou a ser crucificada pela esquerda e por parte do público.
A contrapartida da Pimentinha foi a realização de um álbum rascante, de
repertório mais moderno e que estivesse em sintonia com os tempos sombrios que
marcavam a primeira metade da década de 1970.
O disco Elis, lançado por Elis Regina
no primeiro semestre de 1973, foi outra guinada na discografia da estrela.
Canções de Gilberto Gil e da frutífera parceria João Bosco – Aldir Blanc
dominaram 80% do repertório do disco. “Oriente”, de Gil, abria o disco para que
a Pimentinha deixasse muito claro de que o recado a ser dado por ora era de que
todos nós deveríamos nos orientar
diante de tanto som e fúria que empesteavam os ares do Brasil. As releituras
para os sambas “Folhas Secas” (Nelson Cavaquinho & Guilherme de Brito) e “É
Com Esse Que Eu Vou” (Pedro Caetano) são definitivas não apenas pela precisão
da voz da Maior Cantora do Brasil,
como também pelo dedilhar de piano indefectível de César Camargo Mariano.
A interpretação mais marcante deste
disco é a do belíssimo tango “Cabaré”, de João Bosco & Aldir Blanc. Os
agudos de Elis lembram vagamente os agudos de Ângela Maria (sua maior
influência) e narram a saga de uma crooner
que canta em um inferninho decadente (“Na porta lentas luzes de neon / Na mesa
flores murchas de crepom / E a luz grená filtrada entre conversas”) e que
precisa se debater com “um silêncio de morte” em meio ao “drama sufocado em
cada rosto / A lama de não ser o que se quis / A chama quase morta de um sol
posto” e a lembrança vaga de ter sido uma bela “dama de um passado mais feliz”.
Com este trabalho irretocável, Elis Regina veio para dizer para a sociedade
mundial que não fazia música para alegrar a sociedade e sim para provocá-la com
seu canto insubstituível.
6) Paul McCartney & Wings – Band on the Run
Band on the
Run
é considerado por muitos fãs como o melhor disco lançado por um Beatle após Let
It Be (1970). Concordo plenamente! Por mais que All Things Must Pass
(George Harrison, 1970) e Imagine (John Lennon, 1971) sejam
discos importantes, nenhum disco solo de um Fab Four conseguiu alcançar a
eficiência musical que Paul McCartney, Linda McCartney e os Wings (o
guitarrista e pianista Denny Laine, o baixista Henry McCullough e o baterista Denny
Seiwell) conseguiram com este álbum.
Apesar de constar entre um dos álbuns
mais vendidos de 1974, o caminho para o sucesso foi árduo. Depois de comporem
as faixas do disco em sua casa de campo na Escócia, Paul e Linda queriam gravar
o disco longe do Reino Unido – de preferência em um local bastante exótico.
Quando o casal McCartney estava com tudo pronto para partir para Lagos, na
Nigéria, duas surpresas desagradáveis ocorreram: McCullogh e Seiwell
abandonaram o barco, reduzindo o Wings a um trio. Quando chegaram em seu local
de destino, encontraram um país assolado por miséria e corrupção de um governo militar,
um estúdio em péssimas condições de trabalho. Para somar a estadia nigeriana,
Paul e Linda foram roubados, o ex-Beatle sofreu um espasmo respiratório devido
ao excesso de nicotina e a cereja do bolo foi um arranca-rabo homérico com o
músico e ativista nigeriano Fela Kuti (que acusava os McCartney de se apropriar
da cultura africana indevidamente ao supostamente incluí-la nas novas canções
do Wings). Quando a trupe retornou para a Inglaterra em 23 de Setembro de 1973,
com todas as bases de Band on the Run gravadas, todos
devem ter sentido o alívio do dever cumprido diante de tamanha precariedade.
As nove faixas que constam no disco
original (“Band on the Run”, “Jet”, “Bluebird”, “Mrs. Vanderbilt”, “Let Me Roll
It”, “Mamunia”, “No Words”, “Picasso’s Last Words” e “Nineteen Hundred and
Eighty-Five”), somadas às outras duas faixas-bônus (“Helen Wheels” e “Country
Dreamer”) são o atestado definitive de que Paul McCartney não estava nem um
pouco a fim de se religar ao seu passado de glória e fama e queria escrever um
novo capítulo musical de sua trajetória. É, sem dúvida, o seu melhor disco
pós-Beatles. Por isso, merece (e muito!) ser ouvido…
5) Gal Costa –
Índia*
Em 1973, Gal Costa deu a sua guinada
mais importante em sua carreira até aquele momento. Deixou de lado a
agressividade característica de sua fase tropicalista para dar espaço a uma
postura mais brejeira e sexy. Com o lançamento de Índia, Gal adotou o princípio
de resgatar clássicos da canção brasileira (“Desafinado” e a bela guarânia que
dá nome ao disco) e fez a capa de disco mais sensual de todos os tempos.
É lógico que os militares acharam um
AB-SUR-DO uma capa com um close nas partes íntimas de Gal. Na data do
lançamento, o vinil precisou sair com um invólucro preto para que fosse
vendido, o que chamou ainda mais a atenção para o que Gal Costa tinha a dizer
naquele momento. Canções inesquecíveis de Lupicínio Rodrigues (“Volta”) e Tom
Jobim (“Desafinado”) integram o repertório do disco ao lado de criações de
Caetano Veloso (“Da Maior Importância”, “Relance” – parceria de Caê com Pedro
Novis), Gilberto Gil (responsável pela adaptação de “Milho Verde”, uma cantiga
do folclore português), Luiz Melodia (“Presente Cotidiano”), Tuzé de Abreu
(“Passarinho”), Jards Macalé e Waly Salomão (“Pontos de Luz”).
O time de músicos que contribuíram
com seus talentos para Índia é invejável. Sob a direção musical de Mestre
Gilberto Gil (que pilotou boa parte dos violões do disco), Roberto Silva e
Chico Batera ficaram responsáveis pela bateria, percussão e efeitos, Luiz Alves
pelo contrabaixo e Toninho Horta pela guitarra. As participações especiais de
Roberto Menescal (em “Desafinado”), Wagner Tiso, Arthur Verocai e Chacal
azeitaram a sonoridade deste clássico. Entretanto, devemos destacar a
contribuição essencial de dois artistas que foram fundamentais para este
trabalho: o Maestro Rogério Duprat (arauto erudito dos Tropicalistas), que
recriou “Índia” com um arranjo orquestral épico e Dominguinhos, que trouxe seu
indefectível acordeom para várias faixas do disco. Sem a presença destes dois,
o canto de Gal não teria atingido a mesma força, pois não teria a precisão
dramática do que o Tropicalismo nos ofertou de melhor.
Esqueçam as outras cantoras
brasileiras que gostam de se dizer sexy e cool: Índia, lançado por Gal
Costa em 1973, é uma das provas cabais de como Gracinha é a cantora brasileira
mais sensual e afinada de todas as galáxias pré e pós-tropicalistas!
* Tive
a honra de escrever sobre este disco fantástico para o blog Pequenos Clássicos Perdidos, do meu
guru Fábio Bridges. Por isso, as informações sobre este disco antológico de Gal
Costa são uma mera compilação do texto que está disponível no link a seguir: http://pequenosclassicosperdidos.wordpress.com/2013/07/25/gal-costa-india-1973/
4) Elton John – Goodbye
Yellow Brick Road
O sétimo álbum
de Reginald Kenneth Dwight foi a pedra do gênesis definitiva para que Elton
John (nome artístico de Reg) entrasse de vez para a história da música do
planeta. Goodbye Yellow Brick Road é uma obra-prima, não só por
demonstrar que Elton estava no auge da forma como músico e cantor (o mesmo
pode-se dizer de seus companheiros de banda), como também pelas letras
inspiradíssimas de seu parceiro, Bernie Taupin. Um detalhe interessante: Taupin
escreveu as letras do disco em menos de
TRÊS SEMANAS, repetindo: em menos de
TRÊS SEMANAS! Boa parte das canções foi finalizada por Elton em,
aproximadamente, TRÊS DIAS!
Elton John já era famoso pelos
surtos e exigências que fariam qualquer Diva
ruborizar de vergonha naquela época. Quis gravar seu disco na Jamaica apenas
pelo simples fato de que os Rolling Stones tinham gravado Goats Head Soup na terra
de Bob Marley. Quando as dificuldades começaram a surgir em janeiro de 1973, no
início das gravações do disco, Elton e a trupe se mudaram de mala e cuia para o
belo Château d'Hérouville, na França,
onde os álbuns Honky Château e Don't Shoot Me I'm Only the Piano Player
foram gravados no ano anterior. Assim que os trabalhos se iniciaram no Château, as sessões de gravação duraram
apenas DUAS SEMANAS! Só Frank
Sinatra teria feito mais rápido do que isso...
Goodbye Yellow Brick Road vendeu
cerca de 31 milhões de cópias no mundo inteiro. Isto se deve não apenas aos clássicos do disco (“Candle in the Wind”,
“Bennie & The Jets”, “Saturday Night’s Alright for Fighting” e a
faixa-título não podem faltar em nenhum show de Elton John!), mas também aos
lados B que compõem o disco: “Sweet Painted Lady”, “Harmony”, “I’ve Seen That
Movie Too”, “Roy Rogers”, “All the Girls Love Alice”, “Your Sister Can't Twist
(But She Can Rock 'n Roll)” e “ The Ballad of Danny Bailey (1909–34)”. Não é a toa
que este disco é considerado como o preferido de muitos fãs de Elton...
3) Raul
Seixas – Krig-Ha, Bandolo!
Quando Raul dos Santos Seixas começou
a tocar incessantemente entre nós a partir de 1973, já pudemos ver de cara que
o baiano fã de Elvis Presley não tinha vindo para este mundo de estrelas
musicais a passeio. Raulzito veio para fazer muito, mas muito barulho! Deixou
para trás uma respeitada carreira de produtor musical para dar início a uma
carreira individual vitoriosa e brilhante. O título de sua estreia musical: Krig-Ha,
Bandolo! (título retirado de uma história de quadrinhos) quer dizer,
nada mais nada menos do que, “Cuidado, lá
vem o inimigo!”. Na foto da capa do disco, vemos um cantor que contraria
toda a lógica do star system da Música Brasileira de 1973 – Raul se mostra
magro, esquelético, de olhos entreabertos (efeitos da cannabis?), uma tatuagem
na mão e um cordão dourado no centro do peito.
As canções que Raul reuniu em seu
primeiro disco demonstram o talento inacreditável que ele tinha de misturar
Rock com baião, forró, ponto de macumba e baladas que carregavam muito lirismo.
Krig-Ha,
Bandolo! era um disco que mostrava muito deboche da vida brasileira que
se vivia em 1973 – críticas ao consumismo (“Ouro de Tolo”), à política (“Al
Capone”), ao bom gosto (“Mosca na Sopa”) e que tocou fundo o coração e os
ouvidos dos brasileiros. Foi um dos maiores sucessos comerciais daquele ano e
levou Raul Seixas para a galeria dos compositores mais importantes da música
brasileira.
2) Pink Floyd – The
Dark Side of the Moon
Nenhum disco foi tão genial na cena
internacional do que a obra-prima que o Pink Floyd nos ofertou em 1973. Muito já
foi escrito sobre The Dark Side of the Moon e muito ainda vai faltar para explicar
tudo o que David Gilmour, Roger Waters, Richard Wright e Nick Mason fizeram em
apenas 10 faixas. O fato é que este disco é um dos mais importantes de toda a
história da música no mundo. É o mais importante da década de 1970, sem sombra
de dúvida e, por isso, não podemos deixar de falar sobre ele aqui.
Primeiramente é importante deixar
claro que The Dark Side of the Moon é uma experiência sensorial
indescritível. Batidas de coração, pessoas correndo, autofalantes de aeroporto,
batidas ensurdecedoras de relógios, gritos de desespero, caixas-registradoras
tilintando o som de verdinhas, um arco-íris que se faz, refaz para (enfim) se
esfacelar e gestos de loucura para que tudo se exploda assim que o eclipse
lunar esconda o sol e dar início a um novo ciclo. Poderíamos descrever este
álbum do Pink Floyd apenas pelos sons, se quiséssemos. Letra e música comungam
de um credo que uma não chega a se justapor à outra e aí está a genialidade de
Gilmour, Waters, Wright e Mason.
Quando eles tocavam juntos, nesta
época, era um trabalho dividido de forma equânime: 25% de brilhantismo para
cada um. Quando Roger Waters quis tomar os louros da genialidade para si a
partir de Wish You Were Here (1975), o Floyd deixou de ser o mesmo. Os álbuns
seguintes, Animals (1977) e The Wall (1979), apesar de serem
muito bons, não conseguiram dar a mesma continuidade ao feito que eles conseguiram
com The
Dark Side of the Moon: um disco de banda, não o produto da egolatria de
um homem só (Waters, no caso).
Por isso, prefiro me apropriar de um
verso recente de Gerson Conrad que diz “que deixemos viver o mito”. Cada vez
ouvimos como o lado obscuro da lua pode nos dizer tanto, uma alma é salva em
nome do Rock ‘n’ Roll.
1) Secos
& Molhados – Secos & Molhados
Nada, mas nada neste mundo causou
tanto furor quanto este grupo em 1973! Com a impressão de que tinham surgido em outro
planeta, o Secos & Molhados foi um dos acontecimentos mais revolucionários
da música brasileira: dois compositores de mão cheia, um cantor magrelo que
cantava e dançava como nunca se tinha visto antes, uma sonoridade que ia do
rockao folclore português, sem deixar de
passar por ritmos brasileiros e com um discurso poético baseado em poemas de
autores consagrados convertidos em canção, além de letras originais... Ah, e
claro: uma boa pitada de contestação dos valores morais, estéticos e,
consequentemente, políticos da época na qual surgiu e o nome mais insólito que
uma banda brasileira poderia ter...
O Secos & Molhados tinha tudo,
menos uma receita pronta para o estrondoso sucesso que fez na época, que tem
feito há exatos 40 anos e que ainda fará por mais 40 bilhões de anos: um
vocalista com voz de mulher, um compositor de mão cheia, o compositor One Hit Wonder mais significativo da
história da música popular brasileira e um som estranho para os padrões da época
eram apenas alguns dos elementos que NENHUMA
gravadora de grande porte acreditaria hoje em dia!
40 anos depois, a voz de Ney
Matogrosso ainda tem a capacidade de seduzir plateias de todas as idades. É praticamente
impossível não ficar parado quando “O Vira” começa a tocar em qualquer aparelho
de som e dançar ao som de corujas e pirilampos entre sacis e fadas. É praticamente
impossível não se emocionar com “Sangue Latino” e “Rosa de Hiroshima”, canções
de tom pacifista que eram um grito de liberdade em pleno clima de austeridade
imposto pela ditadura militar. O disco de estreia do Secos & Molhados foi um
dos poucos discos que tocou TODAS as
faixas, repetindo TODAS as faixas do
disco (sim, as treze faixas do disco!) nas ondas do rádio do Oiapoque ao Chuí!
Já a capa deste disco é, sem dúvida
nenhuma, a capa de disco mais ousada que já foi feita neste planeta: quatro
cabeças sendo servidas como pratos principais em uma mesa de jantar! Os músicos de apoio que tocaram neste disco –
Emilio Carrera, John Flavin, Willie Verdaguer, Sérgio Rosadas, Marcelo Frias –
fizeram dos teclados, guitarras, baixo, flauta, bateria e percussão elementos
de uma massa sonora complexa e de uma riqueza extraordinária de sons e ritmos. O
resultado de tamanho esforço coletivo foi a venda de cerca de 1 milhão de
cópias em pouco menos de um ano de lançamento, desbancando Roberto Carlos como
o artista que mais vendia discos no Brasil.
Com o seu aclamado disco de estreia e
com a inesperada receptividade do público e da crítica, o Secos & Molhados
deixou de ser um mero conjunto Pop
para se transformar em uma espécie de Beatlemania
à brasileira e com toques e temperos glitter.
A consequência imediata de gigantesca popularidade foi a dissolução da formação
clássica do grupo em agosto de 1974, quando Ney Matogrosso decidiu abandonar o
grupo alegando “diferenças irreconciliáveis” com o seu companheiro de banda,
João Ricardo. Com apenas 13 faixas, o “disco das cabeças cortadas” se tornou
uma das pérolas mais brilhantes da canção brasileira!
*Tive a honra de escrever sobre este disco fantástico para o
blogPequenos Clássicos
Perdidos, do meu guru Fábio Bridges. Por isso, as informações sobre este
disco antológico do Secos & Molhados são uma mera compilação do texto que
está disponível no link a seguir:http://pequenosclassicosperdidos.com.br/2014/01/02/secos-molhados-secos-molhados-1973/
*
Estes são os meus 14 motivos
musicais para querer entrar em uma máquina do tempo. Quem sabe um Delorean aparece na porta da minha casa
com um cientista que seja mais maluco do que eu e pede que eu volte por uns
tempos para 1973? Boa música para ouvir era algo que certamente não iria faltar...