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25 de novembro de 2013

TROVA # 26


 LUZES & SONS DA INSPIRAÇÃO


“New York
Concrete jungle where dreams are made of
There’s nothing you can’t do
Now you’re in New York
These streets will make you feel brand new
Big lights will inspire you
Hear it for New York
New York, New York…”
(Alicia Keys)


Ao Nilton e à Aninha, que aguentaram
as minhas crises de cansaço por toda Manhattan.


         A Paris deram o nome de “Cidade das Luzes”. No entanto, quando se coloca os pés em Nova York pela primeira vez, a impressão que temos é a de que todas as luzes do planeta migraram para o Atlântico Norte. A quantidade de apelos visuais feéricos e intermitentes de todos os tipos simplesmente não tem mais fim.

Em meio a tudo isto, somemos uma quantidade generosa de línguas e culturas distintas, uma bela constelação de teatros com astros e estrelas de todos os gostos, egos e tamanhos, uma variedade de lojas e outlets de todos os tipos e museus para todas (repetindo: todas!) as formas de Arte. E, lógico: para tudo isto há sons e versos que embalam a experiência inesquecível de passar pela Big Apple, a maçã proibida que provamos com gosto e prazer, por mais letal que o seu veneno possa lhes parecer.

Se você ainda não conhece esta grande metrópole, as canções que escolhemos para este TOP 10 afetivo vão te ajudar a compreender esta loucura um pouquinho melhor. Se você já conhece a cidade, escolha uma canção com a qual você se identificar ainda mais e embarque no navio da memória musical e resgate as suas melhores lembranças.


10 MOTIVOS MUSICAIS PARA VOCÊ
CARREGAR NYC NOS SEUS OUVIDOS 
E NO SEU CORAÇÃO:







10) M
adonna – “I Love New York






         Um dos momentos mais incendiários da Confessions Tour se dava quando a Rainha do Pop empunhava sua guitarra e tocava “I Love New York”. Ao bradar versos como “I don't like cities / But I like New York / Other places make me feel like a dork / Los Angeles is for people who sleep / Paris and London / Baby you can keep” ou o refrão-pop-chiclete “Other cities always make me mad / Other places always make me sad / No other city ever made me glad except New York / I love New York”, Madonna declara não apenas o seu amor pela Big Apple, como também fala de como esta cidade definiu suas ambições e seus anseios de conquistar o mundo com a sua verve Pop.

9) Sting – “Englishman in New York





         Este jazz composto por Sting na década de 1980 é um dos momentos mais significativos depois de sua saída do The Police. Nesta canção, o astro fala do choque cultural sofrido por um homem inglês na Big Apple (“I don't drink coffee I take tea my dear / I like my toast done on one side / And you can hear it in my accent when I talk / I'm an Englishman in New York”) e da importância de manter suas características mais marcantes de sua cultura, apesar de ter trocado a cinzenta Londres pela iluminada Nova York.

8) The Rolling Stones – “Shattered



 


         A partir da década de 1970, os EUA passaram a ter maior importância na vida e na obra dos Rolling Stones. Várias canções compostas pela dupla Mick Jagger – Keith Richards falavam de sexo, drogas, luxúria, amores partidos e outras desilusões... “Shattered”, última faixa de um dos maiores sucessos dos Stones, Some Girls (1978), traz um universo de “Love and hope and sex and dreams” e de “Pride and joy and greed and sex” em plena 7th Avenue. Além disso, Jagger canta o fato de que viver em uma cidade na qual a taxa de criminalidade crescia vertiginosamente no final dos anos 1970 não era tarefa das mais fáceis. “Shattered” é uma ode de amor à NYC às avessas, com todo o seu universo de desejo, cobiça e sedução – afinal, um dos versos finais deste clássico nos pede para “Go ahead, bite the big apple, don't mind the maggots”. Se Mick Jagger disse para que saboreemos a grade maçã sem se importar com os caroços, por que não fazê-lo?

7) Frank Sinatra – “(Theme From) New York, New York






         Se todos os clichês em torno de Nova York se resumissem uma canção, a gravação que Frank Sinatra fez para a composição de John Kander e Fred Ebb é o melhor caso, uma espécie de “Corcovado” para os nativos da Big Apple. E não havia melhor voz para cantar este standard do que o velho Sinatra: no início da década de 1980, os velhos olhos azuis eram a “Voz da América”, por isso acordar na cidade que nunca que dorme e fazer parte dela era mais do que natural para uma das vozes mais importantes do século XX. Apesar de ser um clássico “batido” nos ouvidos de muitos seres humanos, “(Theme From) New York, New York” ainda consegue despertar a emoção de todos aqueles que vão passar uma temporada em NYC.


6) R.E.M. – “Leaving New York





         Faixa de abertura de um dos trabalhos mais injustiçados do R.E.M., Around The Sun (2004), “Leaving New York” é uma ode apaixonada do vocalista Michael Stipe à cidade. A sensação inicial quando ouvimos os primeiros versos (“It's quiet now / And what it brings / Is everything // Comes calling back / A brilliant night / I'm still awake //I looked ahead / I'm sure I saw you there // You don't need me / To tell you now / That nothing can compare”) é de que Stipe canta ao pé do ouvido da cidade que o acolheu (e ainda deve acolher) por tanto tempo. A cidade das luzes, a cidade que ele tinha que abandonar toda vez que ele abandonava a cidade temporariamente para sair em turnê com os seus colegas de banda, a cidade que foi ferida e marcada profundamente pelos acontecimentos de 11 de Setembro de 2001... A cidade que Stipe sempre amou e há de amar. Um retrato sentimental, poético, triste, mas de uma beleza irrepreensível.

5) Billy Joel – “New York State of Mind





         Composta por Billy Joel, “New York State of Mind” apareceu pela primeira vez em Turnstiles (álbum lançado por Joel em 1976). Apesar de nunca ter sido lançada em single, a canção se tornou em uma das (favoritas) mais populares do repertório de seu criador, além de ter sido regravada por nomes de peso da música norte-americana como Barbra Streisand, Diane Schuur e Tony Bennett.
Tomando como ponto de vista o ônibus Greyhound que segue a linha que cruza o rio Hudson (que corta a cidade), Billy Joel fala do seu amor pela cidade como se Nova York fosse mais do que isso: as luzes, avenidas, estrelas de cinema, limusines, os jornais, a música, a beleza de Manhattan, a bela feiura de Chinatown, tudo isto faz da cidade um estado de espírito! Daí a vontade de celebrar o legado e a beleza de um lugar sem comparação...

4) Natalie Merchant – “Carnival




        
         Depois de largar o 10,000 Maniacs, Natalie Merchant deixou de ser uma cantora “bonitinha e fofinha” que estava à frente de uma banda de sucesso para capitanear sua carreira solo com unhas, dentes e muita ousadia. Tigerlily (1995) teve como carro-chefe “Carnival”, esta ode às ruas da Big Apple. O palco virtual desenhado por Natalie revela atores sociais que compõem a cena citadina, multidões, riqueza e pobreza, o luxo da Tiffany’s e o lixo da miséria social do Queens (por exemplo). Não se trata de um carnaval, mas de um “parque de diversões” no qual as entranhas de uma cidade se abrem e revelam a beleza e a pobreza presente em cada uma das duas faces da moeda. E, no final de cada refrão, Natalie pergunta se o que os olhos veem refletem cegueira, perdição, perplexidade, paralisia? Várias perguntas sem respostas e outras perguntas a serem feitas...

3) Lou Reed – “Walk On The Wild Side





         Lou Reed foi um dos cronistas mais frequentes de Nova York. No entanto, a memória do grande público somente se lembra dos versos, dos acordes e dos repetitivos “Dooo-dooo-dooos” de “Walk On The Wild Side”. Reed fotografa com precisão espetacular o submundo de sexo, drogas sob uma perspectiva incomum – junkies, gays, travestis em meio a tranquilizantes e sexo oral. Caminhar pelo lado selvagem era viver intensamente pela Big Apple. O fundador do Velvet Underground soube bem o que foi tudo isso...


2) Norah Jones – “Back to Manhattan”  





         Norah Jones é uma das cantoras mais influentes de sua geração. Quando gravou seu disco The Fall (2009), esta nativa da Big Apple já era uma artista mundialmente premiada e respeitada por uma obra musical relevante, consistente e ousada.
Back to Manhattan” é um dos poucos episódios de The Fall no qual Norah se dedicou ao gênero musical que a colocou no mapa musical do planeta, o Jazz. A letra fala dos mundos diversos que existem em NYC: de um lado a rispidez do Brooklyn; do outro, as luzes de Manhattan. O eu-lírico de Norah se divide entre estes dois universos, ciente da impossibilidade de se desfazer de suas raízes – “But Brooklyn holds you / And holds my heart too / What a fool I was to think / I could live in both worlds”. Uma bela canção de amor que se utiliza das contradições da Big Apple para existir e falar da inexistência de explicações para este mistério que é o sentimento amoroso.

1) Rosemary Clooney – “Take Me Back to Manhattan





         Ao andar pelos corredores sem fim do Metropolitan Museum, achei um CD organizado pelos curadores do Met com o melhor das canções feitas sobre a Big Apple. Não resisti, obviamente, e levei o tal CD comigo. A surpresa mais agradável foi ouvir uma gravação belíssima para “Take Me Back To Manhattan” (Cole Porter), feita por Rosemary Clooney (tia de George e uma das maiores lendas da música norte-americana).

         Na gravação feita por Clooney em seu álbum de 1993, Still On The Road, Nova York é a cidade ideal para ela (e para todos nós que amamos abeleza da cena urbana). No entanto, ao se ausentar de sua adorada cidade, ela pede (sem muito pudor) que seu verdadeiro desejo é de voltar para o seu adorado ninho, para o seu apartamento no centésimo andar, afinal as saudades de North, South, West e East Manhattan são maiores do que a vontade de conhecer o mundo.  Ouça o Jazz, a voz inesquecível de Rosemary Clooney e mergulhe no mar de afetividade que Cole Porter dedicou à cidade mais charmosa das Américas.


12 de setembro de 2012

TROVA # 11


TO SIR, WITH LOVE?!

Educação é aquilo que a maior parte das pessoas recebe, muitos transmitem e poucos possuem.

Karl Kraus

 
An apple for the teacher? Ok, you can give me a break!!!

          Escrevo em permanente estado de crise. Não porque escrever neste Blog é um tormento (pelo contrário: é um prazer indescritível!), digo isto porque escrevo em condições adversas: intervalos de aula, nas madrugadas, nos horários de almoço, no transporte público e em outras “brechas” que o meu horário apertado de Professor me permite.

          Resolvi fazer estas Trovas de Vinil por algumas razões pessoais e intransferíveis: 1) Para exercitar o talento de jornalista frustrado e não consumado que possuo; 2) Para tratar do assunto que mais curto neste universo – MÚSICA; 3) Para achar uma espécie de alento para as minhas crises de ira, angústia, ansiedade e depressão – leia-se: para me divertir um bocado! 4) Para esquecer um pouco do meu lado “Professor” – por mais difícil que isto possa me parecer...

And I just can't pore my heart out
 To another living thing
 I'm a whisper, I'm a shadow
 But I'm standing up to sing”
(Out of Tears – Mick Jagger / Keith Richards)
 

 


















          Sempre nutri um amor perceptível pela escrita – desde os tempos da escola, creio. Já dei início a alguns blogs e nunca os levei adiante por falta de inatividade e pela quantidade gigantesca de coisas que eu tinha para fazer. Em outras palavras, por falta de tempo, por imaturidade minha e/ou da proposta do que se escrevia. Por outras razões que desconheço e/ou não quero lembrar. Devo confessar que tenho um gosto imenso por coisas “menos nobres” intelectualmente: adoro ler crônicas (nada contra os grandes poetas ou romancistas, ok?) e peças teatrais, gêneros literários tidos como mais fáceis de compreensão (a tal da fruição que o Roland Barthes sempre fala...). E claro: adoro ler as entrelinhas do que as “mãos sujas do sangue das canções” nos escondem. Estes são os meios que encontrei para ficar mais próximo da arte cultivada por mestres como Drummond, Nelson Rodrigues, Machado, Clarice e outros. Fazer o quê? Tal qual o seu Carlos, eu também resolvi ser gauche (torto) na vida...

          Tal qual Virginia Woolf, artista pela tenho profunda admiração por tudo que fez em vida e obra, escrevo/leio/penso/crio várias coisas ao mesmo tempo. Minhas bolsas estão sempre repletas de coisas para descobrir, para fazer, para compreender, etc. Falta de foco? Talvez! Vontade de descobrir o mundo inteiro em um dia e não conseguir? Creio que sim! Necessidade de escrever para tentar curar um mal oculto que persiste e insiste? Com certeza! Organização? Não, de jeito nenhum! Minha percepção de mundo é tão desorganizada e caótica, que nenhum dia que abarcasse  algo além de 24 horas seria suficiente para que eu conseguisse impor uma ordem para este caos que deram o nome de Vinícius.

Oi, meu nome é Vinícius, mas você também pode me chamar de CAOS!


          Escrevo Trovas de Vinil em um quase estado de emergência, de procura por mim mesmo e das coisas do mundo, de uma possível cura, de uma vontade de reunir coisas e pessoas das quais eu gosto. Escrevo em busca de respostas, de perguntas, de anseios reunidos e de desabafos necessários como este que publico hoje! Fico muito triste quando não consigo reunir forças para escrever aqui, pois me falta a técnica de concisão, rapidez e eficiência que todo bom jornalista tem. Gostaria de ser mais direto e reto nas coisas que escrevo – ao contrário de muitos blogueiro profissionais e tarimbados no assunto... É por esta razão que me considero um blogger amador: não só porque ainda me falta o talento necessário, mas por falta de tempo e dedicação e, principalmente, pela necessidade de não escrever qualquer coisa – Sim, detesto parecer fútil ou comum! Afinal de contas, como diria Caetano Veloso, as prateleiras e a chamada World Wide Web estão repletas de confusões pensadas, ditas e declaradas, não é?

          2012 foi um dos anos mais revolucionários que eu vivi (e ainda estamos em Setembro, hein?). Além de criar este blog, aprendi coisas novas, decidi trilhar caminhos profissionais que antes abominava, abracei uma nova oportunidade que jamais pensei que apareceria depois de 11 anos trabalhando em sala de aula. Feliz? Sim! Exausto? Sim, porque mudar, por não ser tarefa fácil, requer tempo, dedicação e um preço alto a pagar! Alguns me amaldiçoa(ra)m pelas minhas escolhas, outros ficaram na torcida, poucos me deram apoio incondicional e vários ficaram pelo caminho... Ao grupo dos medíocres, vai o meu agradecimento, pois as adversidades sempre contribuem para o nosso crescimento! Ao pessoal da torcida agradeço o carinho e o coleguismo; Aos que ficam pelo caminho, deixo minhas saudades, faço a promessa de manter contato e renovo a esperança do reencontro em situações / momentos menos adversos. Aos que me ofereceram apoio incansável e incondicional especialmente nos momentos mais recentes, dou a garantia do meu amor e da minha eterna gratidão.
 

The time has come
For closing books
And long last looks must end
And as I leave
I know that I am leaving my best friend
A friend who taught me right from wrong
And weak from strong
That's hard to learn
What, what can I give you in return?”

(To Sir With Love - Don Black / Mark London)

 

         





















         Ser professor e blogueiro nas horas vagas (além de outras atribuições, evidentemente!) é algo um tanto difícil se você quer fazer as coisas direito. Primeiro porque vivemos em um tempo no qual os profissionais do ensino (Professores, Teachers, Instrutores de Ensino, Mestres ou Doutores, ou seja qual for o nome que esteja em mente...) são itens desvalorizados, burocratizados e, vez por outra – dependendo da necessidade do empregador e/ou ins-ti-tui-ção –, substituíveis (Yes, nós também somos descartáveis como copinhos plásticos de acordo com a vontade de quem dá as cartas do jogo!)... No entanto, apesar de não ter me formado jornalista como eu sempre sonhei desde os meus 13 anos de idade, tenho bastante orgulho de ter me tornado em um Professor de Línguas (e suas respectivas Literaturas, por gentileza!). Assim, eu me sinto mais capaz de defender algumas causas perdidas do dia-a-dia nos espaços real e virtual. Faço das palavras minhas armas, da linguagem minha trincheira, do amor que sinto pelas pessoas e pelas coisas meu combustível e deste Blog meu palanque de letras, sons e imagens. Apesar da falta de sentimento que reina por este mundo afora, eu “sou amor da cabeça aos pés”! E outros também são, por isso “não se assuste, pessoa / se eu te disser que a vida é boa”... Por isso, segue o conselho: veja os vídeos, leia o pouco que tenho a dizer e sinta a música, pois é por ela que muitos de nós temos razão de existir...
 
“Não se assuste pessoa
Se eu lhe disser que a vida é boa
Não se assuste pessoa
Se eu lhe disser que a vida é boa

Enquanto eles se batem
Dê um rolê e você vai ouvir
Apenas quem já dizia
Eu não tenho nada
antes de você ser eu sou...

Eu sou, eu sou, eu sou amor
Da cabeça aos pés
Eu sou, eu sou, eu sou amor
Da cabeça aos pés

E só tô beijando o rosto de quem dá valor
Pra quem vale mais o gosto do que cem mil réis
Eu sou, eu sou, eu sou amor
Da cabeça aos pés
Eu sou, eu sou, eu sou amor”
Da cabeça aos pés”
(Dê um Rolê - Morais / Galvão)