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3 de agosto de 2017

DISCOS DE VINIL # 36

CAETANO VELOSO – VELÔ (1984)


Dentre todos os álbuns lançados por Caetano Veloso na década de 1980, o que mais me toca é Velô, lançado pelo filho mais ilustre de Santo Amaro da Purificação (BA) em 1984. Em seu décimo sexto álbum de estúdio, Caetano soava moderno, sedutor, ferino, feérico, filosófico como nunca tinha sido até então. 

A sonoridade do disco se deve graças aos músicos extraordinários da "Banda Nova", que acompanhava o irmão ilustre de Maria Bethânia na época. Tavinho Fialho e Toni Costa tocaram baixo e guitarra, Marcelo Costa e Armando Marçal ficaram a cargo da bateria e da percussão, Zé Luís Signeri ficou responsável pelos sopros (saxofone e flauta) e Ricardo Cristaldi era o tecladista do grupo e foi o produtor de Velô (junto de Caetano). Enquanto as rádios brasileiras enlouqueciam com as canções do chamado "Rock Brasileiro", Caetano Veloso lançou mão do ritmo amaldiçoado e de outras sonoridades nordestinas, eletrificou tudo à máxima potência e lançou um disco deliciosamente vibrante.

Marcelo Costa, Ricardo Cristaldi, Armando Marçal, Caetano Veloso, Tavinho Fialho, Zé Luís Signeri e Toni Costa

A primeira canção de Velô é uma das obras mais importantes da música brasileira do século XX. "Podres Poderes" é uma das críticas mais ácidas, irreverentes e inteligentes a um Brasil que estava a um passo da redemocratização, repleto de vícios seculares e feito por habitantes que mal sabem respeitar uns aos outros. O verso "motos e fuscas avançam os sinais vermelhos / e perdem os verdes / somos uns boçais" critica a selvageria do trânsito das grandes cidades brasileiras. Graças ao sucesso desta canção, Caetano foi convidado a gravar uma participação para uma série educativa com o objetivo de que os brasileiros aprendessem bons modos em relação aos veículos que conduzem. Na época, as máquinas fotográficas automáticas que captavam os apressadinhos foram apelidadas de "Caetanos".





Três canções do disco são um retrato interessante da música que se ouvia nas rádios brasileiras da época. "Shy Moon", canção romântica repleta de sons de sintetizadores e batidas eletrônicas, recebeu letra em inglês e contou com a participação especial de Ritchie, que fazia muito sucesso com o hit "Menina Veneno". "Comeu", além de ter recebido uma versão de Erasmo Carlos, foi também regravada por Kid Vinil, junto de seu grupo de Rock Magazine, e foi  o tema de abertura da novela global A Gata Comeu (1985), um dos maiores sucessos televisivos da década de 1980. Por fim, "Sorvete", retrata uma relação de amor conflituosa entre o sujeito poético e sua musa amada. Esta última canção caberia perfeitamente no repertório de Angela Rô Rô, que já foi agraciada com uma canção inédita de Caetano Veloso para o seu disco de 1981. Seguem os versos do refrão, pontuados pelos teclados de Cristaldi e pelo sax de Signeri:


"Feras lutam dentro da noite-normal
Todos os insetos, os do belo e os do mal
Anjos e demônios
O amor tomava conta de mim

Ela loura e negra, querubim e animal
Burra, sábia, deusa, mulher, menino e mandarim
Mas se ela não quis meu sorvete
Por que gravá-la em videocassete (...)"

Show Velô - Foto de Thereza Eugênia



"Grafitti", parceria bissexta de Caetano com os poetas Waly Salomão e Antônio Cícero, versava mitos gregos com a cena urbana da cidade grande com uma sonoridade ligeira, típica do período. Além da dobradinha com Waly e Cícero, Velô traz "Pulsar", uma bela parceria de Caetano com Augusto de Campos, um dos exponenciais da Poesia Concreta brasileira. A sexta faixa do disco, por sua vez, é uma gravação do frevo "Vivendo em Paz", do cantor, compositor e produtor musical baiano Tuzé de Abreu, um dos melhores números do disco. Já a terceira canção do disco é uma regravação de "Nine Out of Ten", composta por Caetano Veloso para Transa, seu álbum de 1972, com tons mais caribenhos e pitadas da New Wave que tocava nas rádios dos quatro cantos do planeta.




Velô possui duas canções bastante poéticas e filosóficas. A primeira delas, "O Homem Velho" (dedicada à memória de Zeca Veloso –  pai de Caê –, Chico Buarque de Holanda e Mick Jagger), um Caetano de 42 anos canta sobre o processo de envelhecimento com muita sobriedade e lucidez: 


"Os filhos, filmes, livros, ditos como um vendaval
Espalham-nos além da ilusão do seu ser pessoal
Mas ele dói e brilha único, indivíduo, maravilha sem igual
Já tem coragem de saber que é imortal"



A segunda canção de cunho filosófico de Velô é "O Quereres", um belíssimo tratado musical sobre o desejo. Já regravada por grandes vozes da MPB como Maria Bethânia, Gal Costa e Fafá de Belém, é uma das obras mais populares do cancioneiro de Caetano Veloso:



"Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde possa o chão, minha alma salta
E ganha a liberdade na amplidão (...)"

A última canção de Velô, o samba-rap "Língua", foi dedicado a ativista política Violeta Arraes Gervaiseau e contou com a participação de Elza Soares, na época em baixa em sua carreira: 

Elza Soares & Caetano Veloso durante a temporada do programa Chico & Caetano - TV Globo (1986)

"Flor do lácio, sambódromo
Lusamérica, latim em pó
O que quer, o que pode essa língua?"



A canção de Caetano é um amálgama de expressões da língua portuguesa, de estrangeirismos, de citações filosóficas e de referências a nomes da música, da literatura e da intelligentsia como Luís de Camões, Fernando Pessoa, João Guimarães Rosa, Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé. Um carnaval tropicalista encerrando um disco brilhante. Um dos trabalhos que levaram Caetano Veloso ao panteão dos homens mais notáveis da música brasileira.

22 de agosto de 2015

TROVA # 54

O REINO SAGRADO DE MARIA BETHÂNIA


“Há canções e há momentos
Eu não sei como explicar
Em que a voz é um instrumento
Que eu não posso controlar
Ela vai ao infinito
Ela amarra todos nós
E é um só sentimento
Na plateia e na voz”
(“Canções & Momentos”, de Milton Nascimento,
composta especialmente para a voz de Maria Bethânia)


Quando Deus e os orixás pensaram nas constelações de estrelas cantantes que iriam arrebatar os palcos do Brasil, eles devem ter tido um trabalho gigantesco para elaborar uma Estrela (sim, com "e" maiúsculo!) do quilate da moça que assina como Maria Bethânia Viana Telles Velloso - para nós apenas Maria Bethânia, para outros Berré, para alguns Mary Beth, para quase todos: Diva! Eu precisei de mais de dois anos de atividades como blogueiro semi-profissional (uma palavra mais gentil para qualificar o meu amadorismo) para poder anotar algumas coisinhas sobre esta Senhora. Não porque palavras me faltam, pois já escrevi sobre Ela em outras ocasiões, mas principalmente porque me faltava a devida vontade e ânimo para escrever sobre uma das cantorias mais admiradas deste país.


Minha relação com a arte de Maria Bethânia começou, por mero acaso, quando ainda era um jovem rapaz que vivia no apartamento de dois quartos dos meus país na Ilha do Governador. Devia ter uns 13 ou 14 anos quando descobri na estante que pertencia ao Sr. Orlando e D. Elizabeth uma versão em LP de Mel, álbum que deu a irmã de Caetano Veloso o apelido de Abelha Rainha graças à popularidade da caribenha faixa-título, assinada por Caetano e Waly Salomão: "Ó abelha rainha / Faz de mim / Um instrumento de teu prazer / Sim, e de tua glória, de tua glória...". Na capa do disco, uma dedicatória de meus tios paternos Silvio e Dagmar aos meus pais datada de 1979, ano em que meus pais decidiram oficializar sua caminhada de tantos anos juntos um do outro. Ao descobrir aquele vinil, colocar aquela agulha para riscar os sulcos pretos e ouvir a voz de Bethânia saudar as soberanas dos apiários ao som de um slide de guitarra caribenha, descobri inconscientemente uma maneira de me reconectar com fatos da minha história que se deram antes de eu nascer.


Por outro lado, pouco depois que descobri aquele LP na casa dos meus pais, outro vinil de Maria Bethânia chegava na casa da irmã do Sr. Orlando. Só que este iria atingir minha sensibilidade de tal maneira que eu nunca mais iria me recuperar daquele impacto. Era o final de 1993 e Bethânia estava lançando um dos trabalhos mais importantes de sua carreira: As Canções que Você Fez Pra Mim, totalmente baseado em canções escritas por Roberto Carlos e Erasmo Carlos. O tratamento classe A que ela deu às canções de Roberto e Erasmo, ao lado de suas interpretações apaixonadas do cancioneiro do Rei não poderia ter resultado em outra coisa a não ser sucesso. Naquela época, ainda poderíamos ouvir trechos de "Fera Ferida" na abertura de uma novela da Globo, de mesmo nome. Enfim, era o auge de uma artista da MPB que vendia milhares de cópias de seus discos em tempos nos quais música sertaneja de péssimo gosto era o que dava o tom nas rádios da época, por exemplo. A partir daquele acontecimento, decidi ficar de olhos bem abertos para os passos musicais que a irmã de Caetano Veloso estava dando desde então.


Mel abriu as portas para a descoberta dos discos antológicos que Bethânia gravou nos anos 1970. Aqueles clássicos foram uma enorme revelação musical para mim: aqueles arranjos requintados e primorosos (capitaneados, em grande parte, por Perinho Albuquerque, produtor dos baianos) revelavam uma cantora que não possuía uma técnica de canto tão profissional (tenho um problema meio sério com as respirações de Mary Beth em vários daqueles discos), mas apontavam uma artista que exercia o seu ofício com a paixão e a intensidade pouco vista em muitas colegas de MPB. Rosa dos Ventos: um show encantado (1971), apesar de ser um disco que não chega a reproduzir a metade do impacto das canções do espetáculo, redefiniu os conceitos da relação da cantora com o showbiz ao misturar poesia e música no palco através de intensa dramaticidade. A tua presença... (1970), Drama: Anjo Exterminado (1972), Pássaro Proibido (1976), Pássaro da Manhã (1977) e o indefectível Álibi (1978) foram os discos de estúdio que fizeram de Maria Bethânia uma das mulheres que mais venderam discos neste país. Os álbuns ao vivo Drama, 3.° Ato: Luz da Noite (1973) e A Cena Muda (1974) são retratos sonoros belíssimos da fúria passional que tomava conta da irmã mais nova de Caetano Veloso quando ela subia no palco. A parceria da artista com Chico Buarque em uma mítica temporada no Rio de Janeiro e a sua participação no grupo Os Doces Bárbaros, somadas à sua extensa discografia - concebida desde a década de 1960 - lhe renderam uma legião considerável de fãs ardorosos, enquanto sua fama de geniosa, temperamental e indomável reproduzia em vida a postura intensa que se via no palco.


Confesso publicamente que pertenci a esta legião de fãs devotos de Maria Bethânia por algum tempo, por sempre achar que ela fosse o tipo de artista que melhor traduzia minhas paixões, meus sentimentos e minha maneira de ver o mundo. Fiz alguns amigos bem queridos graças ao "elo bethânico" que nos reunia e arranjei brigas das mais variadas e surreais pela Internet afora no embate Elis X Bethânia (uma atualização da guerra Emilinha X Marlene para os anos mais recentes). No entanto, quando comecei a ler nas entrelinhas que havia uma diferença entre a pessoa e a artista - algo natural em qualquer um que se aventura pelos palcos do planeta -, meu endeusamento por Mary Beth se tornou limitado a quase zero.


Havia (e ainda há) uma série de coisas que me incomoda(va) em relação às escolhas artísticas de Maria Bethânia: 1) Seus espetáculos, perfeitamente adequados para teatros, sempre são realizados em casas de shows no eixo RJ-SP por preços astronômicos e que não valem a qualidade do que se vê: não digo isso porque os eventos de Bethânia são ruins, mas não dá pra dizer que um show no qual você tenta ouvir um texto de Pessoa ou Lispector com um garçom passando na sua frente ou com pessoas tilintando copos e garrafas de cerveja na mesa do lado foi um acontecimento maravilhoso (a artista deveria se preocupar com a qualidade do espetáculo que é visto pelos seus fãs ao escolher o seu local de trabalho!); 2) A falta de renovação de repertório em seus shows é algo que cansa os desejosos por novidades: ouvir "Explode Coração", "Negue", "O que é, o que é?" ou "Pedrinha de Aruanda" com os mesmos arranjos é algo que já me cansou há algum tempo; 3) Sua postura levemente arrogante, enquanto artista, é outra coisa que me irrita profundamente: sua (quase) obsessão que é cantora e não intérprete, colocando a segunda categoria como algo mais importante do que a primeira é descaradamente pretensioso. Os "pitis" (chiliques, ataques de pelanca, barracos, rebus) ocorridos em entrevistas e shows são até cômicos para nós, os "Senhores" que assistem os seus espetáculos, mas não devem ser nem um pouco engraçados para quem faz parte da Entourage da Diva. Isso sem mencionar em detalhes as patadas públicas dirigidas à Gal Costa, algumas dignas de vergonha alheia.



2015 marca o quinquagésimo aniversário de um dos acontecimentos culturais mais importantes do século XX no Brasil: a substituição de Nara Leão por Maria Bethânia no elenco do musical engajado Opinião, no qual a cena era dividida com João do Vale e Zé Kéti. Na ocasião da passagem por Sampa de um show comemorativo de 50 anos deste fato, Abraçar e Agradecer, decidi que aquele era o momento certo para refazer minhas pazes com Mary Beth e fui vê-la no palco depois de quase dez anos. Sua beleza, sua intensidade e seu talento continuam irretocáveis com o passar do tempo. As "manias" foram perdoadas por mim diante de um show tão belo. A admiração pela artista continua e continuará até onde eu deixar de me entender como um ser humano. No entanto, compreendi que não existe artista que domine tão bem a potencialidade cênica de um show de música brasileira como Bethânia. O palco é o local onde ela pousa soberana, seu reino musical sagrado, seu espaço pleno da apoteose de seu dom.




O reino de Maria Bethânia é tão intrigante quanto o de Hamlet: apesar de sabermos que há algo destoante da beleza que existe por detrás, não podemos dizer que ele é belo e deixa de nos encantar. Que ela, ao contrário do herói trágico de William Shakespeare, consiga nos encantar por muitos anos, trazendo o que existe de melhor em sua profissão.

1 de agosto de 2014

TROVA # 34


O Plural (Perdido) de Gal Costa

A felicidade de encontrar um CD raro da musa tropicalista durante minhas férias de verão em São Luís do Maranhão

Gal Costa, Plural (1990)




“Gal dolce still nuovo é a minha dita dicha

Ser plural é detonar toda raiz e detonar-se enquanto raiz

E subdividir-se e multiplicar-se”

(Waly Salomão – Rio de Janeiro, 13 de Julho de 1989)


Um dos meus passatempos preferidos quando viajo de férias é visitar alguma livraria e/ou sebo pela qual estou de passagem. Isto me dá a oportunidade de conhecer um pouquinho melhor a cultura local, como também me dá a oportunidade de garimpar raridades musicais que se encontram indisponíveis dentro do eixo Rio-São Paulo, onde me criei e ainda vivo.

Em São Luís do Maranhão não foi muito diferente de minhas experiências anteriores. Ao caminhar pelas ruas do Centro Histórico da capital maranhense, avistar um sebo cuja área nos permitia acesso a um restaurante de comida típica com ar condicionado era adentrar um verdadeiro oásis, visto que o calor do verão já tinha me cozinhado consideravelmente. Como não tenho vocação para carne de sol (apesar de ser bem moreno), resolvi me apressar e seguir rumo ao restaurante. Depois de alguns minutos já me sentia à vontade para explorar o que o sebo Poeme-se tinha para me oferecer.

Quando o funcionário do sebo me informou que eu poderia me aproximar das estantes de CDs para verificar o que eles possuíam no acervo, fui tomado de uma súbita felicidade misturada com curiosidade e excitação. Música internacional, música clássica, música maranhense, música brasileira... Resolvi me ater à última seção para ver se encontrava algo que realmente valesse a pena. Letra A, letra B, C, D, E, F e nada interessante... Eis que chego à letra G e me deparo com mais uma raridade musical, talvez uma das joias mais raras da MPB: o álbum Plural, lançado por Gal Costa em 1990!

E por que raios este CD ainda é uma pérola rara? Primeiramente porque recebeu pouquíssimas edições; Segundo, porque já tinha perdido as esperanças de ter uma cópia original na minha coleção de Gal porque as ofertas por este disco ultrapassavam a faixa dos 400 reais no Mercado Livre; Terceiro e mais importante de tudo, porque o preço oferecido por esta raridade era irresistível: R$12! Vinil não poderia ter ficado mais feliz diante de situação tão inusitada...

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Gal & Waly

Produzido pelo renomado saxofonista Leo Gandelman, Plural foi o reencontro da parceria Gal Costa – Waly Salomão depois de quase 20 anos sem trabalhar juntos (a última parceria da dupla tinha sido justamente o inesquecível show / disco FaTal: Gal a Todo Vapor, que revolucionou a música brasileira entre 1971 e 1972). O repertório, selecionado pelo poeta baiano, vai de canções de Caetano Veloso – “Nua Ideia (Leila XII) (parceria com João Donato e tema dos personagens de Antônio Fagundes e Cláudia Raia na novela Rainha da Sucata)” e “A Verdadeira Baiana” –, criações inéditas da emergente Axé Music, até parcerias inusitadas de Arnaldo Antunes & Jorge Benjor (“Cabelo”) e João Bosco, Waly e Antônio Cícero (“Holofotes”), passando por clássicos icônicos da canção brasileira – “Fon Fon” (João de Barro & Alberto Ribeiro) e “Alguém me Disse” (Jair Gouveia & Evaldo Amorim) – e standards da canção norte-americana – “Begin the Beguine” (Cole Porter) e “I Didn’t Know What Time It Was” (Richard Rodgers & Lorenz Hart).

O resultado final desta seleção reflete a multiplicidade de estilos e tendências que Gal conseguiu aglutinar em seu canto – daí o título do disco, que resultou em um dos shows mais populares de toda a carreira da artista. Depois de ter amargado um de seus maiores fracassos com o show e disco Lua de Mel como o Diabo Gosta, em 1987, a eterna Musa Tropicalista conseguiu ressurgir para os olhares do público e da crítica com todo o brilho e a pompa merecida!


Gal Costa em cena durante o show Plural



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Gal Costa no Rio de Janeiro em Maio de 1991.


         Depois de ter tido feito o que deveria para poder chamar aquela raridade minha e só minha, aproveitei a chance para almoçar no restaurante anexo ao sebo. Com direito a doses generosas de Guaraná Jesus (a coisa mais importante do Maranhão, depois de Alcione!) evidentemente... Com a minha meta de raridades batida por ora, já estava preparado para poder percorrer as ruas do Centro Histórico de São Luís do Maranhão, fazer um passeio de barco para Alcântara (não, estou mentindo!) e passar uma temporada inesquecível de cinco dias nos Lençóis Maranhenses.

         A trilha sonora daqueles dias lindos no verão maranhense? Gal Costa, claro... Se Gracinha pudesse cantar algo sobre este momento, ela até cantaria algo como “Alguém me disse que Vinil anda novamente / de novo amor, nova paixão, todo contente”; afinal de contas, motivos não me faltavam para tal...