10 de setembro de 2012

TROVA # 10


QUEM TEM MEDO DE MICK JAGGER?

“O rock não é rebelde, pois, hoje, pais e filhos o escutam juntos.”

Mick Jagger 

Mick? Michael Philip? Sir Jagger? Starfucker? Brenda? Pé frio esportivo? Arauto? Rebelde? Conservador? Revolucionário? Andrógino? Machão? Movie Star frustrado? Vocalista legendário? Quem é o homem que está à frente dos Rolling Stones há mais de cinco décadas? Mick Jagger pode ser todos ou nenhum destes arquétipos criados por ele mesmo. Para mim, ele é o maior mito vivo de todo a história do Rock. Ídolo maior, admirado por mim há muitos e muitos anos...

Mick Jagger em 1969
Marc Spitz, jornalista nova-iorquino (além de autor de uma comentada biografia de David Bowie), resolveu se aventurar bravamente nesta empreitada e tentou responder a pergunta que todos nós amantes queremos saber: “Quem é Mick Jagger?” ou "Quem deveria ter medo dele"?


Acabei de ler Jagger: a biografia, de Marc Spitz. Um livro conciso, competente e honestíssimo. Conciso porque consegue resumir os inúmeros feitos da vida e obra de um dos homens mais controversos de toda a história do Rock ‘n’ Roll em pouco menos de deliciosas 300 páginas. Competente porque consegue biografar Mick Jagger sem se ater aos típicos cacoetes dos biógrafos de celebridades – Spitz segue uma linha cronológica, mas não fica obsessivamente ligado a datas e eventos específicos. Honestíssimo porque consegue retratar Mick sem mitificá-lo, sem deixar de reconhecer seus altos, como também seus baixos.

Um guitarrista subestimado por muitos...

Jagger é um cara que sempre gostou de cantar, mas que sempre quis ser uma celebridade. Nunca se importou se a música que ele mais gostava era negra ou branca e/ou de qual lado do Atlântico ela vinha. Sempre buscou informação de tudo que existia de novo na música Pop – seja para projetos solo, seja para projetos com os Stones.  Foi através de seu amor supremo pela música negra que vinha do Delta norte-americano que este rapaz de Dartford resolveu largar os estudos na renomada London School of Economicspara se juntar ao amigo Keith Richards e fundar os Rolling Stones. A partir daí, Mick e cia. tratou de cantar e tocar sua música bem alto para quem estivesse afim de ouvi-la. E muitos o fizeram: do Hyde Park à Praia de Copacabana, passando por Altamont, clubes e arenas dos mais diversos tipos, muitos humanos ouviram, amaram e também odiaram a banda mais longeva do Rock.
O frontman dos Rolling atones nas parcas comemorações dis 50 anos da banda
Spitz é autor de uma prosa agradável. Soube contar não apenas como os Stones deixaram de ser uma das bandas mais odiadas pelo establishment para se tornarem em sinônimos de turnês concorridas, palcos faraônicos e performances intensas. Também soube listar (sem cair no tom de fofoca!) e comentar os casos e as obsessões amorosas de Jagger: Chrissie Shrimpton, Marianne Faithfull, Anita Pallenberg, Marsha Hunt, Bianca Jagger, Jerry Hall, Luciana Gimenez, Carla Bruni, Angelina Jolie (a única sobrevivente do leão Jagger!) e L’Wren Scott...
Jagger e seu filho caçula, Lucas, nas Olimpíadas de Londres.
        O livro aborda as transformações indeléveis sofridas pela música dos Stones com o decorrer dos anos: dos covers de clássicos do blues norte-americano a Aftermath (1966), de Beggars Banquet(1968) a Sticky Fingers (1971), o auge da forma com o mítico Exile On Main Street (1972), “a trilogia vazia” composta por Goats Head Soup (1973), It’s Only Rock ‘n’ Roll (1974) e Black& Blue (1976), o ressurgimento com Some Girls (1978), as grandiosas turnês com Tattoo You (1981), Steel Wheels (1989) eVoodoo Lounge (1994). Além disso, Spitz não deixou de mencionar os projetos solo do vocalista dos Stones, as incursões de Mick no cinema (e os frutos da relação de Mick com os cineastas Hal Ashby e Martin Scorsese para a obra dos Stones) e toda a controvérsia gerada pela concessão do título real a um dos maiores inimigos do sistema na década de 1960. Velhos mitos em torno do homem foram desfeitos nas páginas de Marc Spitz. Surge um homem incansável e multifacetado por detrás daquelas páginas.
Mick Jagger em Vila Nellcôte (França), durante as gravações do antológico Exile On Main Street (1972)

Jagger: a biografia não traz uma única resposta para a pergunta que muitos fãs dos Stones querem saber. Ele traz várias respostas, isto é, traz quase todas as faces de Michael Philip Jagger – quase porque nenhuma biografia ou autobiografia consegue dar conta das diversas faces de biografado nenhum, principalmente quando este indivíduo é o vocalista da maior banda de Rock de todos os tempos. Se você ainda não leu este livro, peça emprestado, tenha a primazia de parcelar no cartão, peça de presente (como eu fiz e consegui!!!) e leia! Marc Spitz irá te mostrar que não há razões para temer Mick Jagger...


Mick Jagger por Andy Warhol
P.S.: Acabei de ficar sabendo que Philip Norman (o melhor biógrafo de John Lennon) está prestes a publicar uma biografia de Mick Jagger! Prova cabal de que os 70 anos de Jagger e os 50 de Rolling Stones realmente PRO-ME-TEM!!! A capa já está disponível online, mas infelizmente não consegui colocar ela aqui... Vai o link mesmo...
P.S. #2: Nilton Serra, muito obrigado por enriquecer a minha biblioteca stoniana com este livro do Spitz. Thank you very much...

10 performances de Mick Jagger (Stones' B-sides + Solo)

para ficarem marcadas nos seus ouvidos:

1. Dead Flowers


2. Already Over Me


3. Short & Curlies

4. Sweet Thing


5. God Gave Me Everything

6. Shattered

7. Don’t Call Me Up


8. She Was Hot


9. Don’t Tear Me Up

            10. Stealing My Heart

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