14 de abril de 2013

TROVA # 18


OS PRÓXIMOS DIAS DE DAVID BOWIE




David Bowie: o retorno ao mainstream musical após 10 anos
 
 “Here I am

Not quite dying
My body left to rot in a hollow tree

Its branches throwing shadows
On the gallows for me

And the next day
And the next

And another day
(David Bowie na faixa-título de The Next Day, seu 24.º álbum de estúdio)


          O mundo da música está em festa desde o dia 8 de janeiro de 2013. Isto acontece porque David Bowie surpreendeu o mundo em seu 66.º aniversário ao divulgar um videoclipe de uma coleção de músicas inéditas que estava por vir em março do mesmo ano. As redes sociais literalmente ferveram com a novidade inesperada por vários motivos: 1) Bowie não divulgava material inédito há exatos 10 anos (seu último álbum de inéditas na década de 2000 foi Reality, de 2003); 2) O artista tinha anunciado sua “aposentadoria” depois de ter se recuperado de uma cirurgia no coração, em 2004; 3) Ninguém sabia por onde andava o homem que fez o mundo dançar loucamente ao som de “Ziggy Stardust” e “Let’s Dance”; 4) Janeiro, geralmente, é um mês com pouquíssimas (para não dizer NE-NHU-MA) novidade no mundo musical!

          The Next Day chegou às lojas do mundo há pouco mais de um mês. Lógico que obtive meu exemplar para saber o que este senhor tinha a dizer ao mundo depois de 10 anos de reclusão. E principalmente porque sempre fui apaixonado pela vida, obra e personagens deste incansável Camaleão. Aos 66 anos de idade, David Bowie ainda continua em excelente forma musical: suas letras refletem o olhar de um senhor que já viu muito sobre a vida, com a inteligência e a sagacidade de quem já viveu personas indefectíveis em cena. David Robert Jones já foi Ziggy Stardust, já foi The Thin White Duke, já foi Alladin Sane com muita maquiagem e purpurina, já foi Soulman com ternos elegantes e que amava e fazia música soul, já foi louro platinado na década de 1980, já foi band leader da Tin Machine, etc, etc, etc... No entanto, o melhor personagem de Mr. Jones é o músico David Bowie, hoje recluso e discreto como jamais foi.

 

Ziggy Stardust, Alladin Sane, Soulman, The Thin White Duke, Platinum Blonde Superstar: cinco personae do camaleão Bowie


 
Ironicamente, David Bowie não fez uma estratégia de marketing tradicional para a divulgação deste disco. Não concedeu entrevistas, não fez apresentações ao vivo, não anunciou turnê internacional e nem sequer fez uma capa original para o seu 24.º trabalho de inéditas. A imagem que ilustra The Next Day é nada mais, nada menos do que uma adaptação da capa de Heroes (1977) feita por Jonathan Barnbrook, que já tinha trabalhado com o artista em Heathen (2002) e Reality (2003). Barnbrook explicou a capa afirmando que havia várias imagens icônicas de álbuns de David Bowie para serem subvertidas, no entanto, a de Heroes foi a que obteve melhor resultado. O quadrado branco no lugar no rosto do artista causou espanto, choque e, até, uma certa indignação por parte dos fãs do cantor.

A capa The Next Day (2013) é uma releitura da capa
de um dos trabalhos mais icônicos de Bowie, Heroes (1977).


 Musicalmente falando, a sonoridade de The Next Day revive, em alguns momentos, o que Bowie produziu com a trinca berlinense Low – Heroes – Lodger (1977-1979). Entretanto, o disco evita a repetição de fórmulas óbvias e/ou consagradas: não se trata de um trabalho alegre, nem excessivamente sombrio, trata-se de um bom disco de Rock e that’s all! Para fazer este disco, David Bowie dividiu a produção com o velho amigo e parceiro Tony Visconti e contou com a baixista Gail Ann Dorsey, as guitarras de Gerry Leonard e a bateria competente de Zachary Almond, além de outros músicos competentes. As letras continuam destilando o estilo agridoce que fez de Bowie um dos artistas mais significativos da Cultura Pop. “You Feel So Lonely You Could Die” e “Valentine’s Day”, por exemplo, falam de solidão e bullying. “I’d Rather Be High” e “Boss Of Me” vertem sobre a insanidade que rege o século XXI e (acredite ou não!) sobre amor. Sim, bate um coração apaixonado dentro do peito tão marcado de Mr. Jones – a “culpada” deste fato, como muitos devem saber, é a top model escultural Iman, que foi uma das responsáveis por colocar o maridinho em caminhos mais discretos e saudáveis.


Bowie e sua escultural esposa, a top model Iman


          Fiquei triste em saber que Bowie não pretende turnê deste disco. Primeiro porque The Next Day é um trabalho inteligente e de uma consistência ímpar. Segundo porque, seguindo o velho clichê que fã que sou, queria muito ver David Bowie on stage. Por outro lado, o artista anunciou aos quatro ventos que não pretende deixar de fazer discos, para sua própria alegria e para o delírio de seus fãs. Afinal, são pérolas como esta que nos fazem entender o mundo de hoje:

Bowie ao lado de Tilda Swinton no clipe de "The Stars (Are Out Tonight)"
 

“Stars are never sleeping

Dead ones and the living

Waiting for the first move
Satyrs and their child wives

Waiting for the last move
Soaking up our primitive world

Stars are never sleeping

Dead ones and the living
Their jealousy's spilling down

The stars must stick together

We will never be rid of these stars

But I hope they live forever”
 (David Bowie em “The Stars (Are Out Tonight)”,
segundo single de The Next Day)

 

O Mestre antes de entrar em cena

 
A sabedoria do Mestre indica que os próximos dias de David Bowie serão marcados por muita música e com menos intervalos, como todos esperamos. Afinal, as estrelas podem até estar do lado de fora de nossas casas, todavia a luz dos gênios sempre consegue iluminar as mentes que buscam conhecer o mundo através da arte!
 

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